Enfermagem

Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer: o incansável caminho para a cura e a importância da prevenção

Tempo de leitura: 4 min.

Chegamos ao mês de setembro e com ele a necessidade de abordarmos o mês de conscientização da Doença de Alzheimer, uma das patologias mais desafiadoras e misteriosas do século, totalizando 1,2 milhões de casos no Brasil e 35,6 milhões no mundo. A lei brasileira nº 11.736/2008 institui o dia 21 de setembro como o dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer.

É valido relembrar que essa patologia é neurodegenerativa e progressiva, ou seja, a pessoa apresenta piora cognitiva conforme a evolução da doença, em que a memória é a mais prejudicada e passa a ser uma alteração de rotina na vida de quem é diagnosticado com Alzheimer.

É importante que estejamos alerta aos sinais e sintomas da doença, que podem variar desde a falta de memória de acontecimentos recentes, como repetição de frases e perguntas, raciocínio lentificado e dificuldade de elaborar frases, de reconhecer e realizar caminhos conhecidos, bem como outros sintomas neuropsiquiátricos, como irritabilidade, agressividade e isolamento social.

Ouça também: PEBMED e HA: O uso da inteligência artificial no diagnóstico de Alzheimer [podcast]

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Causa e tratamentos

Os estudiosos/cientistas ainda não conseguiram desvendar a causa da doença, embora se acredite ser genética. No entanto, também há controvérsias se estamos próximos da “cura”. O tão famoso Aducanumabe (Aduhelm), medicamento liberado no início de junho de 2021, foi para algumas pessoas, o mais próximo da tão sonhada ‘cura’, pois foi capaz de reduzir os níveis da proteína beta-amiloide, que estão acumuladas no cérebro de quem apresenta Alzheimer.

Embora a Food and Drug Administration (FDA) tenha aprovado a droga, muitos cientistas ainda questionam a eficácia do tratamento, pois dizem que não há evidências suficientes para a adoção do tratamento, contudo, a farmacêutica responsável pela fabricação, diz que a criação pode ajudar os pacientes que se encontram nas fases iniciais da doença (leve), e que os resultados experimentais mostraram 22% menos declínio clínico na saúde cognitiva dos envolvidos.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia se posicionou a favor, porém com cautela, e acredita que a aprovação foi um grande marco da ciência, pois nenhuma droga para o Alzheimer chegou tão próxima de ser aprovada e utilizada. No entanto traz três questionamentos importantes: os dois ensaios clínicos com o uso da Aducanumab foram incompletos, pois foram abortados na fase III; embora tenha comprovado eficácia na redução da proteína beta-amiloide o estudo foi realizado em uma fração de tempo que não necessariamente as individualidades da progressão da doença foram consideradas; a medicação age apenas em uma das alterações da doença (acúmulo da beta-amiloide) e não nas alterações da proteína TAU; além de questionar os efeitos colaterais e altos custos para o tratamento.

Saiba mais: FDA altera indicação de tratamento para Alzheimer nos Estados Unidos

Enquanto a eficácia do tratamento ainda é questionada e não é cem por cento confirmada, devemos investir na medicina mais barata que temos, a prevenção e diagnóstico precoce, para que o retardo da progressão da doença aconteça da melhor forma possível.

As medidas preventivas não são exclusivas e direcionadas, tampouco cem por cento efetivas, contudo podem ajudar, pois manter a mente ativa pode ser uma forma eficaz; para isso, estudar, ler, pensar, fazer exercícios e jogos de raciocínio, manter uma boa alimentação, evitar álcool e drogas e tomar sol são estratégias válidas no combate ao Alzheimer.

Mensagem final

Nesse contexto, é necessário que possamos enaltecer a importância do acolhimento e acompanhamento de forma multiprofissional, em que assistentes sociais, dentistas, enfermeiros, educadores e educadores físicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, entre outros, possam lançar seus olhares para a prevenção, diagnóstico, tratamento e qualidade de vida de todas as pessoas com Doença de Alzheimer. Assim como, possamos conscientizar a população sobre a doença, para que estejamos afastados de estigma e desinformação.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Paulo Fuculo

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