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Dia Nacional do Teste do Pezinho: conheça esse exame que salva vidas

Colunistas, Pediatria, Saúde Pública
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Nesta quinta-feira, 6 de junho, é comemorado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, data criada pelo instituído pelo PNTN com o objetivo de conscientizar o público e os profissionais de saúde sobre a relevância do Teste do Pezinho na triagem neonatal.

O Teste do Pezinho (ou teste de Guthrie), incluído no Programa de Triagem Neonatal (PNTN) e realizado em maternidades e unidades de saúde de todo o país, é um exame obrigatório, que deve ser feito em todos os recém-nascidos (RN)1 ,2. É um teste de caráter preventivo, cuja meta principal é detectar distúrbios do metabolismo que podem não causar sintomas nos primeiros dias de vida do bebê.

O Teste do Pezinho chegou ao Brasil ao final dos anos 70. Inicialmente objetivava detectar o hipotireoidismo congênito e a fenilcetonúria. Em 1992, passou a ser obrigatório em alguns estados brasileiros. Já o PNTN (Portaria de Consolidação nº 5/2017 GM/MS, Art. 142 ao Art. 150) foi instituído em 06 de junho de 2001 para acolher todos os RN, pois não somente o teste precisa ser feito, mas também porque os bebês precisam de acompanhamento de acordo com o resultado do exame1 ,5.

Desde então, todos os Estados foram habilitados neste programa, que engloba a identificação precoce de doenças, a expansão da cobertura populacional e a procura ativa de pacientes suspeitos de serem portadores de doenças que podem ser triadas pelo teste. Com isso, as famílias não só são informadas a respeito do resultado, mas podem ser convocadas para que uma nova coleta seja efetuada com o intuito de confirmar qualquer alteração5.

As doenças que são triadas pelo Teste do Pezinho são suscetíveis de serem tratadas com sucesso. Entretanto algumas delas, quando não são diagnosticadas e tratadas de forma precoce, podem ocasionar deficiência intelectual e, em casos mais graves, levar a óbito. No Brasil, o Teste do Pezinho fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o Teste Básico que deve ser realizado obrigatoriamente em todo RN de acordo com a determinação do Ministério da Saúde (MS).

O Teste Básico abrange a triagem das seguintes doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, deficiência de biotinidase e hiperplasia adrenal congênita5,6. O Teste Ampliado pode detectar até 20 doenças, o PLUS 23, o Master 28, o Expandido 46 e o Completo pode identificar até mais de 60 doenças.

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Para a realização do Teste do Pezinho são necessárias poucas gotas de sangue do calcanhar do neonato coletadas em papel filtro. O período correto para a coleta da amostra não deve ser inferior a 48 horas de alimentação proteica e não deve exceder 30 dias do nascimento; entretanto, o período ideal encontra-se entre o terceiro e o sétimo dia após o nascimento do bebê1.

Algumas condições podem prejudicar a interpretação dos resultados do Teste do Pezinho3 – Quadro 1. Para Rodrigues e colaboradores (2019), a investigação dessas condições é de suma relevância, focando no direcionamento de ações que promovam a saúde materno-infantil e consolidem a triagem neonatal3.

Quadro 1: Condições que podem prejudicar a interpretação do Teste do Pezinho.

Condições maternas

Condições relacionadas ao neonato

Hipotireoidismo.

Uso de corticoides (dexametasona, prednisona, betametasona).

Hiperplasia adrenal congênita.

Fenilcetonúria.

Esteatose hepática da gravidez.

Deficiência de vitamina B12.

Nutrição parenteral.

Transfusão de sangue.

Imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise.

Uso de esteroides.

Imaturidade das enzimas hepáticas.

Hipotireoidismo.

Hipóxia.

Prematuridade.

Uso de dopamina.

Nutrição parenteral total.

Transfusão de hemácias.

Infelizmente, mesmo sendo um exame de suprema importância, o desconhecimento sobre o Teste do Pezinho por parte dos pais, familiares e até mesmo dos profissionais de saúde pode comprometer sua eficácia3.

Um estudo brasileiro realizado por Arduini e colaboradores (2016) evidenciou que o conhecimento de puérperas sobre o Teste do Pezinho é superficial, podendo ser reflexo do desempenho da própria equipe de saúde1. Outro estudo brasileiro mais recente publicado por Mallmann, Tomasi e Boing (2019) mostrou que há desigualdades, não só na realização de testes de triagem neonatal no país, mas também na realização destes testes dentro dos prazos estipulados pelas diretrizes do Governo7.

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Autor:

Referências:

  1. ARDUINI, G. A. O. et al. Knowledge of Puerperal Mothers about the Guthrie Test. Revista paulista de pediatria, v.35,n.2,p.151-157, 2017.
  2. BLOG DA SAÚDE. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dia Nacional do Teste do Pezinho reforça importância do exame. 2018. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/servicos/53370-dia-nacional-do-teste-do-pezinho-reforca-importancia-do-exame. Acesso em: 03 de junho de 2019.
  3. RODRIGUES, L. P. et al. Teste do pezinho: condições materno-fetais que podem interferir no exame em recém-nascidos atendidos na unidade de terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva, 2019.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA. Teste do pezinho ajuda a diagnosticar doenças raras. 2016. Disponível em: http://www.sbpc.org.br/wp-content/uploads/2017/04/labornews_mar2016_2.pdf Acesso em: 03 de junho de 2019.
  5. BLOG DA SAÚDE. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Entenda a importância do teste do pezinho para o bebê. 2016. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/materias-especiais/51815-entenda-a-importancia-do-teste-do-pezinho-para-o-bebe. Acesso em: 03 de junho de 2019.
  6. DLE. Triagem Neonatal e o Teste do Pezinho. 2010. Disponível em: https://dle.com.br/exames/teste-do-pezinho. Acesso em: 03 de junho de 2019.
  7. MALLMANN, M. B.; TOMASI, Y. T.; BOING, A. F. Neonatal screening tests in Brazil: prevalence rates and regional and socioeconomic inequalities. J. Pediatr (Rio J). 2019.

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