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Diabetes tipo 2: nova diretriz defende hemoglobina glicada entre 7 e 8%

Tempo de leitura: 3 minutos.

A prevalência de diabetes cresce em proporções epidêmicas no mundo, principalmente devido ao aumento da obesidade e do sedentarismo. A maior parte das mortes e morbidades relacionadas estão ligadas a complicações micro e macrovasculares. Níveis elevados de glicemia provocam, a curto prazo, sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso e desidratação. Ao longo do tempo, o diabetes se associa a sintomas de complicações crônicas como as alterações visuais provocadas por retinopatia, dor neuropática e alterações de sensibilidade, lesões nos pés, amputações, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular e doença renal crônica.

Reduzir a glicemia pode reduzir substancialmente essas complicações. As questões principais são: a que preço? Em quais condições? Sabe-se que a redução drástica dos níveis de glicemia também traz complicações e isso tem sido motivo de discussão frequente entre os especialistas. Nesse contexto, a American College of Physicians (ACP) publicou recentemente uma nova diretriz propondo o controle moderado e individualizado dos níveis de glicemia no tratamento do diabetes tipo 2.

Hoje, a eficácia do tratamento é avaliada principalmente pelos níveis de hemoglobina glicada (ou HBA1C), que mostra a média da glicemia nos últimos 3 meses. As principais diretrizes existentes recomendam iniciar e intensificar o tratamento medicamentoso até metas específicas de HBA1c, em geral entre 6,5% e 7%. No entanto, dependendo da população em questão, o alvo ideal de HBA1c que apresenta melhor relação custo-benefício para o paciente permanece pouco claro.

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A conclusão dessa revisão, a partir da análise dos cinco grandes estudos randomizados tradicionais que investigaram estratégias intensivas de tratamento do diabetes versus tratamento menos intensivo (níveis de HBA1c entre 6,3% a 7,4% versus 7,3% a 8,4%), é que níveis de HBA1c menores que 7% não oferecem redução consistente de eventos clínicos microvasculares importantes como a perda da visão, doença renal terminal ou neuropatia dolorosa, e, principalmente, não houve redução de eventos macrovasculares e morte nos pacientes com HBA1C menor que 7,0%. Os novos medicamentos para tratamento do diabetes que oferecem diminuição do risco cardiovascular reforçam a teoria que o tratamento do paciente diabético vai muito além da busca incessante por uma HBA1c ideal.

As novas orientações da ACP são:

  1. As metas para o controle glicêmico no paciente com diabetes tipo 2 devem ser personalizadas com base em uma discussão sobre: benefícios e danos dos medicamentos, preferência dos pacientes, custos do tratamento, saúde geral e expectativa de vida dos pacientes.
  2. Os clínicos devem procurar atingir um nível de HBA1c entre 7% e 8% na maioria dos pacientes com diabetes tipo 2
  3. Deve ser considerado um tratamento medicamentoso menos intensivo em pacientes com diabetes tipo 2 que atingem níveis de HBA1c inferiores a 6,5%.
  4. Os pacientes com diabetes tipo 2 com expectativa de vida inferior a 10 anos devido à idade avançada (80 anos ou mais), que residem em casas de repouso ou com condições crônicas como câncer, demência, doença renal em estágio final, doença pulmonar obstrutiva crônica grave ou insuficiência cardíaca congestiva devem ser tratados para minimizar os sintomas relacionados à hiperglicemia e não para atingir uma meta de HBA1c, porque os danos de um tratamento intensivo superam os benefícios nessa população.

Em resumo, o que a ACP propõe é o tratamento individualizado do diabetes buscando relacionar a melhora na qualidade de vida dos pacientes com os níveis de HBA1c.

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Autora:

Referências:

  • Targets for Glycemic Control With Pharmacologic Therapy for Nonpregnant Adults With Type 2 Diabetes Mellitus: A Guidance Statement Update From the American College of Physicians. Ann Intern Med. [Epub ahead of print 6 March 2018] doi:10.7326/M17-0939

Um comentário

  1. Euzelia Pereira

    O quadro clínico mais caracterizado do diabético tipo 1,
    É de início relativamente rápido, alguns dias, poucos meses de sintomas como: sede, diurese e fome excessiva, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza. Se o tratamento nao for realizado rapidamente os sintomas pode evoluir para desidratação severa, sonolência, vômito, dificuldades respiratórias e cima, esse quadro mais grave é conhecido como CETOACIDOSE, DIABÉTICA, E necessita de internação para tratamento.

    OUTROS TIPOS DE DIABÉTICOS

    Outros tipos de diabéticos são bem mais raros e incluem defeitos genéticos da função da célula beta
    (MODY 1, 2 E 3) defeitos genéticos na ação da insulina , doenças do pâncreas ( PANCREATITE,, TUMORES PACREATRICOS, HEMOCROMATOSE) e outras doenças endócrinas (SIDROME DE CUSHING, HIPERTIREODISMO, ACROMEGLIA) e uso de certos medicamentos.

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