Dietas inadequadas podem causar obesidade em pacientes oncológicos pediátricos?

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Descobrir quais as melhores formas para um tratamento pós-câncer é sempre um tema de interesse entre pesquisadores e médicos de diversas áreas da saúde oncológica.

Um novo estudo coordenado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) avaliou as características da ingestão alimentar em crianças e adolescentes sobreviventes de câncer no Brasil, indicando que enfermidades como obesidade, identificadas nessas crianças, foram associadas às dietas realizadas em tratamento prévio.

Dietas em pacientes oncológicos

Foram analisadas características nutricionais de 77 crianças e adolescentes sobreviventes de câncer menores de 18 anos. A ingestão alimentar foi avaliada utilizando o recall de 24 horas, uma ferramenta de avaliação dietética onde os participantes são solicitados a recordar todos os alimentos e bebidas que consumiram nas 24 horas anteriores, anotar e entregar aos pesquisadores.

Resultados e conclusões

Entre os resultados, foi demonstrado um desequilíbrio na qualidade dos lipídios e baixo consumo de micronutrientes nos sobreviventes de câncer infantil, demonstrando que a qualidade da alimentação dos participantes era ruim.

A ingestão média diária de algumas vitaminas e minerais ficou abaixo dos níveis recomendados para todos os sexos e faixas etárias, com valores abaixo de 50% de adequação.

Em relação à qualidade lipídica, os sobreviventes apresentaram baixos níveis de consumo de gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas.

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Contudo, todas as faixas etárias apresentaram níveis suficientes de consumo de carboidratos e proteínas. As porcentagens médias de consumo de carboidratos e proteínas foram de 54% e 20,8%, respectivamente.

O nível de consumo de gorduras saturadas ficou próximo do limite superior.

A ingestão de fibras ficou abaixo do nível recomendado em todas as categorias de pacientes e sua média foi de 11,5 g/dia.

“Isso favorece o desenvolvimento não apenas da obesidade, mas também de outras doenças crônicas, além de potencialmente predispõe esses pacientes a cânceres secundários”, explica a pesquisadora líder Júlia Teixeira, do Departamento de Biociências do Instituto de Saúde e Sociedade (ISS/Unifesp), campus Baixada Santista da Unifesp.

O estudo pretende reforçar que estratégias de monitoramento nutricional para sobreviventes de câncer infantil devem ser incentivadas devido à sua vulnerabilidade.

Segundo os pesquisadores, o desequilíbrio da qualidade dos lipídios e o baixo consumo de micronutrientes demonstraram que a qualidade da dieta é ruim em sobreviventes de câncer infantil. Isso favorece o desenvolvimento não apenas da obesidade, mas também de outras doenças crônicas, e potencialmente predispõe esses pacientes a cânceres secundários.

Números no país

Estima-se que hoje 33% das crianças entre 5 a 9 anos já estejam acima do peso. De acordo com informações contidas nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE 2008-2009, o índice de meninos obesos alcança 16,6%, e 11,8% entre as meninas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 12 mil crianças e adolescentes são diagnosticadas com câncer anualmente no Brasil. Atualmente, 80% delas podem ser curadas, caso a doença seja diagnosticada precocemente. Com tratamento adequado, a maioria terá qualidade de vida ao sobreviver à doença.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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