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mãos tentando pegar pilulas

Diretrizes de desprescrição: como suspender os benzodiazepínicos?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O uso prolongado de agonistas do receptor de benzodiazepínicos (ARBs), incluindo benzodiazepínicos e zolpidem, para insônia é comum no dia a dia de adultos e idosos. A efetividade desses fármacos para o tratamento de transtornos de ansiedade e insônia por curto período de tempo é apoiada literatura. Porém, o uso por um longo período não é recomendado, principalmente em idosos, devido ao risco de desenvolvimento de dependência física, psicológica, além de outros efeitos adversos (quedas, demência, sedação excessiva, acidentes automobilísticos). A ideia desta postagem é discutir a desprescrição de benzodiazepínicos baseada nas diretrizes publicadas no Canadian Family Physician.

A desprescrição é o processo planejado e supervisionado de redução da dose ou interrupção do uso de medicamentos que possam estar causando danos ou deixando de proporcionar benefícios. As recomendações das diretrizes são baseadas em dados de estudos-chave de desprescrição para insônia, assim como em análises de revisões de danos causados por ARBs.

As recomendações aplicam-se a adultos com 18 anos ou mais (incluindo idosos), que vivem na comunidade ou em instituições de cuidados prolongados que tomam agonistas de benzodiazepínicos com o objetivo de tratar a insônia primária ou comorbidade, em que todas as possíveis comorbidades subjacentes são efetivamente gerenciadas. Estas recomendações não se aplicam àqueles com outros distúrbios do sono ou ansiedade não tratada, depressão ou condições físicas e mentais que possam estar causando ou agravando a insônia.

As diretrizes recomendam que médicos devem discutir a necessidade de diminuir gradativamente os ARBs com todos os pacientes idosos (65 anos ou mais / evidência forte), independente da duração do tratamento, assim como naqueles com idade entre 18 e 64 (evidência fraca).

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Que reação esperar do paciente?

Há pacientes que vão relutar em descontinuar, enquanto outros vão apreciar a oportunidade de interromper a medicação. Em geral, a decisão de continuar, reduzir ou descontinuar um medicamento baseia-se em um equilíbrio de conhecimento sobre sua indicação e eficácia, bem como os riscos de uso, interações medicamentosas, carga de comprimidos e custo. Neste contexto, as preferências do paciente ou da família desempenham um papel importante na tomada de decisão. O grupo que desenvolveu a diretriz fez um panfleto esclarecendo informações essenciais aos pacientes sobre os riscos e benefícios dos ARBs.

Qual é o real motivo da insônia?

É importante investigar o que de fato está causando a insônia do paciente, com base em uma anamnese completa, além de uma boa relação médico-paciente. Há diversos motivos que podem estar associados com a insônia, como por exemplo uma doença psiquiátrica (ansiedade, depressão), distúrbio do sono-vigília (apneia do sono), noctúria, uso de substâncias (cafeína, álcool) ou até mesmo tratamento farmacológico de outras condições (antidepressivos).

Uma vez que a razão para a insônia tenha sido claramente determinada, o tratamento apropriado pode ser instituído e a desprescrição dos ARBs deve ser considerada.

Como desprescrever?

Os autores recomendam que médicos considerem realizar a retirada da medicação de forma bastante gradativa (ao longo de vários meses) com pacientes com risco maior de recaída, incluindo aqueles com história de estresse psicológico ou tratamento de longo prazo com ARBs. Na revisão sistemática, não foram identificados estudos que comparassem diferentes estratégias de redução gradual.

Durante a fase de redução da medicação, o algoritmo de desprescrição indica a necessidade de os médicos monitorarem os pacientes a cada uma ou duas semanas para os benefícios esperados (incluindo melhorias na cognição, vigília, sedação diurna e incidência de quedas) e sintomas de abstinência (incluindo insônia, ansiedade, irritabilidade, sudorese e sintomas gastrointestinais). Foi proposto também associar terapias comportamentais em combinação com diminuição gradual da medicação, pois foi observada melhora na taxa de interrupção quando comparado com diminuição gradual do ARBs isoladamente.

Para acessar o algoritmo completo de desprescrição de benzodiazepínicos: http://www.cfp.ca/content/64/5/339.

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Autora:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

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