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Disfunção sexual feminina: descubra como trazer o prazer de volta à sua paciente

Tempo de leitura: 3 minutos.

A disfunção sexual (DS) apresenta uma alta prevalência em nossa sociedade e estão frequentemente associadas ao desconforto pessoal e à piora na qualidade de vida. Por ser algo muito estigmatizado, causa grande constrangimento entre as pacientes e também insegurança por parte dos médicos, já que muitos não estão acostumados a lidar com essas entidades em seu consultório.

A abordagem médica inclui anamnese completa geral e sexual, exame físico detalhado e tratamento medicamentoso, quando indicado. Há várias opções terapêuticas para o tratamento das disfunções sexuais femininas. A abordagem multiprofissional e multidisciplinar é a mais adequada.

A disfunção sexual refere-se a alterações na resposta sexual persistente e recorrente, por mais de seis meses e que causem angústia/sofrimento à pessoa. Podem ser divididas em:

  • desejo sexual hipoativo
  • distúrbio de excitação sexual
  • disfunção orgásmica
  • dor sexual

É sempre importante ressaltar que se o relacionamento conjugal não for satisfatório, as medidas para melhorar o distúrbios sexuais são quase sempre ineficazes.

Medicalização da sexualidade

  • Terapia Hormonal: é indicada quando a diminuição do desejo sexual vem associada a manifestações clínicas da menopausa, como sintomas vasomotores e síndrome urogenital.
  • Terapia estrogênica: é indicada quando a disfunção sexual aparece no período da peri e pós-menopausa, principalmente nos casos em que há outros sintomas associados, como, por exemplo, alterações do sono e do humor. Pode ser usada via tópica, em casos, de dor sexual induzida por atrofia vaginal.
  • Contraindicações absolutas: mulheres com câncer de mama, câncer de endométrio, tromboembolismo agudo, hepatopatia aguda e/ou grave, diabetes com lesão de órgão-alvo, porfiria e sangramento uterino sem causa diagnosticada.
  • Tibolona: é um esteroide sintético derivado da noretisterona que tem ações nos receptores tissulares do estrogênio, progesterona e androgênio.  A tibolona resulta em aumento do desejo sexual, excitação, frequência e satisfação sexual e tem efeito positivo sobre a genitália, pois melhora a lubrificação vaginal. Além disso, também modula a elevação da concentração sanguínea de endorfina, promovendo uma melhora do bem-estar geral e da qualidade de vida (Grau de recomendação B). Mesma contraindicação ao uso de estrogênio.
  • Terapia Androgênica: é recomendada para mulheres com diagnóstico de distúrbio sexual hipoativo na peri e pós-menopausa, quando afastadas todas as outras causas. Revisões sistemáticas recentes sobre o assunto evidenciam que:
  • A aplicação de testosterona transdérmica é efetiva no tratamento do DS em mulheres na pós-menopausa (Grau de evidência A), bem como para mulheres nos últimos anos da menacme (Grau de evidência B);
  • O uso de testosterona transdérmica por período curto, até três anos, é seguro;
  • A resposta terapêutica à testosterona em mulheres com DS pode ocorrer após semanas de seu uso (Grau de evidência A);
  • Caso não haja resposta terapêutica em até seis meses, o uso deve ser descontinuado (Grau de evidência A).

No momento, nenhuma preparação para a terapia androgênica foi licenciada pela Federal Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. No Brasil, não há formulação disponível pela ANVISA, e toda a prescrição de testosterona é off-label.

Efeitos adversos podem ser observados, como hirsutismo, acne e voz grave; assim como alterações do metabolismo lipídico, como a redução do HDL-colesterol. As contraindicações em mulheres são as mesmas para o uso de estrogênio e incluem alopécia androgênica, acne, hirsutismo, hipertrigliceridemia e transtorno hepático.

Mulheres em uso de anticoncepcional hormonal podem se queixar de DS. Um estudo randomizado e controlado evidenciou que o desejo sexual espontâneo, a excitação sexual e o prazer são menores em relação a controles sem uso de anticoncepcional hormonal (Grau de recomendação A). Nesse caso, o método anticoncepcional poderá ser trocado por outro, como: DIU de cobre, progestagênio oral ou DIU com levonorgestrel.

O uso de alguns antidepressivos como bupropiona, trazodona e flibanserina são usados  para o tratamento das disfunções sexuais, aumentando o nível de neurotransmissores (dopamina e norepinefrina) e diminuindo a concentração de serotonina e assim, obtendo um efeito pró-sexual.

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Em geral, as abordagens psicológicas mais promissoras para tratar o desejo sexual hipoativo incorporam elementos da Terapia Sexual, Terapia Comportamental Cognitiva e intervenções baseadas na atenção plena à paciente.

O tratamento da disfunção orgásmica é, principalmente, o reconhecimento do seu corpo pela masturbação dirigida (Grau de recomendação B). A dor sexual é muito comum e pode ser dividida em duas entidades: dispareunia e o vaginismo. O que as diferencia é o aparecimento de espasmo na musculatura externa da vagina, no vaginismo.

Na dispareunia, os medicamentos usado são estrogênio tópico, anestésicos locais, antidepressivos tricíclicos. Nos casos refratários, pode-se aplicar injeções com corticoides ou analgésicos na área afetada e, até mesmo nos casos graves, indicar a excisão cirúrgica do vestíbulo (vestibulectomia) (Grau de recomendação C).

No vaginismo, o principal foco de ação é na dessensibilização sistemática, que é feita pelo fisioterapeuta (relaxamento da musculatura, massagem),conjuntamente com o parceiro. A psicoterapia é um ponto importante do tratamento.

Conclusão

Existem muitas modalidades para o tratamento das DS. O mais importante é identificar o distúrbio primário perante anamnese detalhada e individualização do tratamento. Sempre que possível, fazer um atendimento multidisciplinar, abordando as expectativas e dificuldades do casal para um tratamento mais efetivo da condição apresentada.

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Referências:

  • Anamnese em sexologia e critérios diagnósticos das disfunções sexuais, Protocolo Febrasgo 2018
  • Tratamento das disfunções sexuais no consultório do ginecologista, Protocolo Febrasgo 2018

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