Dispositivo digital na terapêutica para incontinência urinária

A incontinência urinária afeta mais de 60% de mulheres adultas nos Estados Unidos, com mais de 28 milhões de casos moderados a severos.

Como primeira opção de tratamento para incontinência urinária de esforço, de urgência e a mista pode-se usar os exercícios para musculatura pélvica. Entretanto, maioria das mulheres não têm acesso a cuidados qualificados, não aderem aos programas de treinamento muscular ou não fazem os exercícios corretamente.

Com o surgimento de tecnologias móveis para auxílio em vários tratamentos um trabalho publicado na Obstetrics & Gynecology neste mês de janeiro trouxe um estudo randomizado prospectivo controlado com um dispositivo para ajudar as mulheres com o treinamento da musculatura pélvica nos casos de incontinência urinária.

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O dispositivo combina um aparelho introduzido na vagina contando com acelerômetros que medem a movimentação muscular pélvica representando esses movimentos num aplicativo no smartphone da paciente que pode visualizar e corrigir, se necessário, suas contrações pélvicas.

Dispositivo digital na terapêutica para incontinência urinária

Métodos

Nesse estudo um grupo controle recebeu vídeos e textos explicando os movimentos que deveriam ser realizados três vezes ao dia. O grupo da intervenção recebeu o dispositivo já programado para realizar três vezes ao dia, durante 2,5 minutos um total de cinco contrações de 15 segundos com 15 segundos de descanso entre elas. Ambos os grupos deveriam realizar o tratamento por oito semanas seguidas. Após isso as pacientes tinham opção de continuar o tratamento em qualquer regime de exercícios. Elas foram então avaliadas com questionários de qualidade de vida para mulheres com incontinência urinaria específicos aos seis e 12 meses obtendo assim os resultados desejados da pesquisa.

Resultados do estudo sobre incontinência urinária

Das 299 participantes analisadas com oito semanas, 286 (95,7%) retornaram com seis e 12 meses (151 do grupo controle e 135 do grupo de intervenção). A média de idade foi 51,9 anos ± 12,8 anos e a média de IMC foi 31,8 ± 7,4. Dentro do grupo todo 84,6% tinham partos e 54,9% eram pós-menopausa. As respostas “muito melhor” e “muitíssimo melhor” foram mais significativas no grupo da intervenção em relação ao grupo controle aos seis meses (43,4% vs 21,2% respectivamente, P < 0,001, OR 2,85, IC 95%, 1,73 – 4,78) e também aos 12 meses (44,1% vs 24,3% respectivamente, P < 0,001, OR 2,45, IC 95%, 1,49 – 4,00). O grupo de intervenção apresentou mais de duas vezes probabilidade de melhora nas avaliações de 6 e 12 meses.

No grupo de intervenção a aderência ao tratamento relatada foi de 69% nas 8 semanas, 13% nos seis meses e 17% ao fim de 12 meses. Nenhum efeito adverso sério foi relatado no período.

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Conclusão

O estudo confirmou que no plano terapêutico da incontinência urinária o uso de um dispositivo para auxiliar o treinamento e supervisão dos exercícios pélvicos domiciliares melhora muito a satisfação e os resultados obtidos.

Mensagem prática sobre incontinência urinária

A possibilidade de acompanhamento remoto da evolução do tratamento é muito cômodo e válido, pois o aplicativo para smartphone pode enviar relatórios ou o médico pode acessar relatórios à distância.

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
  • Weinstein MM, Dunivan GC, Guaderrama NM, Richter HE. Digital Therapeutic Device for Urinary Incontinence: A Longitudinal Analysis at 6 and 12 Months. Obstetrics & Gynecology. 2023 jan;141(1):199-206. DOI: 10.1097/AOG.0000000000005036