Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Cardiologia / Distúrbios da coagulação: você sabe o que é o INR?
fracos de sangue para prova laboratorial de INR, relacionado aos distúrbios de coagulação

Distúrbios da coagulação: você sabe o que é o INR?

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O estudo inicial dos distúrbios da coagulação sanguínea, passa, necessariamente, pela investigação laboratorial da hemostasia. Para a pesquisa dessas patologias, além da história clínica e exame físico, pode-se lançar mão de uma série de ensaios laboratoriais, a fim de auxiliar o raciocínio clínico-diagnóstico.

Da mesma maneira, os exames da coagulação podem ser utilizados para a triagem de pacientes assintomáticos no período pré-operatório, especialmente àqueles com alguma história de sangramento anormal e/ou que serão submetidos a cirurgias que possam comprometer o estado da coagulação, ou mesmo a procedimentos com grande potencial de sangramento.

Além da triagem, algumas provas laboratoriais também são utilizadas para o monitoramento do uso profilático/terapêutico de certos tipos de anticoagulantes. Um exemplo clássico dessa finalidade é o de monitorar, pelo INR, os efeitos dos antagonistas da vitamina K (ex.: varfarina) na coagulação.

Leia também: Coagulopatia na Covid-19: pacientes têm risco aumentado de sangramento e/ou trombose?

O tempo de protrombina e o INR

O tempo de protrombina, também conhecido como TAP ou TP, é utilizado no setor de hemostasia para se avaliar, por meio dos seus fatores, a integridade da via extrínseca e comum da cascata de coagulação. Por esse ensaio, consegue-se estabelecer o tempo de formação do coágulo de fibrina, o qual é iniciado a partir da ativação do fator VII, culminando com a conversão do fibrinogênio (Fator I) em fibrina.

Por meio da adição, junto ao plasma citratado do paciente, de cálcio e tromboplastina (rica em fosfolipídeos e fator tecidual), ocorre a formação do coágulo de fibrina. O tempo para a formação desse coágulo é então calculado, por métodos mecânicos ou ópticos, sendo reportado em segundos.

Infelizmente, existe uma grande diferença entre os extratos de tromboplastina utilizados, com variações significativas de qualidade, de sensibilidade em relação aos fatores vitamina K dependentes, de matriz (humana, sintéticas) e até mesmo entre aparelhos/metodologias diferentes.

Mais do autor: Microbiologia: em que consiste, características e utilidade da coloração de Gram

A fim de se adequar a todas essas variáveis, foi necessário criar uma forma de padronizar, à nível mundial, os resultados entre os laboratórios clínicos. Dessa necessidade, foi desenvolvido o INR (International Normalized Ratio), ou razão normalizada internacional. O INR nada mais é que um cálculo automático, realizado pelos aparelhos a partir do resultado do TAP, o que permite uma comparação interlaboratorial, independentemente da tromboplastina utilizada. Ele é expresso por essa fórmula:

INR = [TAP do paciente em segundos / TAP médio normal em segundos]ISI

Já o ISI (International Sensitivity Index) é uma medida, determinada pelos fabricantes, que cada reagente (e até mesmo entre cada lote do mesmo fabricante) do TAP possui, tendo em vista as diferentes sensibilidades destes para as deficiências dos fatores da coagulação. Quanto maior a sensibilidade/qualidade da tromboplastina do kit, mais próximo de 1,0 será o ISI.

Mensagem final

Devido às limitações de manufatura e metodológicas dos kits diagnósticos para o TAP, a adoção do INR, por parte dos laboratórios clínicos, foi de grande importância para a padronização dos seus resultados.

Portanto, especialmente para aqueles pacientes que fazem uso de alguma droga antagonista da vitamina K, e que necessitam de um acompanhamento periódico para se atingir uma determinada faixa terapêutica, o INR permite uma comparação válida entre os diferentes kits e metodologias disponíveis. Dessa maneira, resultados reportados em laboratórios diferentes podem ser ajustados, contribuindo assim para uma maior segurança e adequado manejo da anticoagulação.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & Demott Laboratory Test Handbook with Key Word Index, 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp, Inc; 2001.
  • Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2019.
  • McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry’s Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.