Gastroenterologia

Diverticulite: confira as novas recomendações da AGA

Tempo de leitura: 3 min.

A diverticulite é extremamente frequente nas emergências e ainda existem algumas controvérsias quanto a melhor conduta a ser tomada nas diversas situações.

Neste sentido, a American Gastroenterological Association (AGA), publicou uma atualização das melhores condutas a serem tomadas em determinadas situações. As recomendações foram baseadas em estudos previamente publicados.

Leia também: Devemos operar a diverticulite de repetição?

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Recomendações para diverticulite aguda

Assim, foi montada uma lista de 14 medidas a serem adotadas a fim de orientar uma melhor prática clínica aos pacientes.

1 – Tomografia computadorizada

A tomografia é o exame ideal para determinar a diverticulite aguda com acurácia de 95%, enquanto a suspeita clínica varia entre 40%-65%. A ressonância magnética, é mais sensível que a tomografia, porém perde em especificidade e normalmente não é utilizada em situações de emergência.

2 – Colonoscopia

Deve ser realizada após o primeiro episódio, mesmo que leve. Nos casos recorrentes avaliar a necessidade, e pode ser adiada caso o paciente possua um exame recente.

3 – Momento de realização da colonoscopia

A colonoscopia deve ser realizada de 6-8 semanas após os sintomas iniciais ou até resolução completa dos sintomas (o que for mais longo).

4 – Sintomas crônicos após episódio de diverticulite

Aproximadamente 45%, podem se queixar de dor abdominal por até 1 ano após um episódio de diverticulite. É necessário excluir quadros infecciosos ou complicações locais com TC e endoscopia baixa. Nos casos que não forem identificados causas que justifiquem a queixa, podem ser enquadrados como hipersensibilidade visceral.

5 – Dieta com líquidos claros podem ser iniciadas na fase aguda, principalmente para conforto do paciente.

Os pacientes com diverticulite não complicada podem manter uma dieta com líquidos claros, desde que não apresentem náuseas. É comum uma anorexia por 3-5 dias e a dieta não deve ser “forçada”, aqueles que mantem quadro de náuseas após este período devem ser reinvestigados.

6 – O uso de antibióticos deve ser seletivo e não de rotina, em pacientes com diverticulite leve não complicada e imunocompetentes.

Saiba mais: Prognósticos de cirurgias para tumores estromais gastrointestinais

7 – O uso de antibiótico é recomendado em imunocomprometidos, pacientes com comorbidades, sinais de inflamação sistêmica, casos complicados ou sem melhora.

O uso de antibiótico é a principal forma de tratamento das diverticulites, porém o uso do mesmo é cada vez mais questionados nos casos leves em pacientes sem comorbidades e sem sinais sistêmicos de inflamação. Nos demais o uso continua a seguir a orientação de antibiótico de largo espectro com cobertura para gram-negativo e anaeróbios.

8 – Diverticulite em imunocomprometidos

Todos os pacientes em uso de corticoides, ou algum outro tipo de imunossupressão pode apresentar sintomas leves apesar de doença infeciosa avançada e assim todos os esforços e exames devem ser valorizados.

9 – Para reduzir o risco de recorrência o paciente deve manter uma dieta saudável, manter atividade física regular, IMC dentro da normalidade e não fumar. Além disto não fazer uso regular de anti-inflamatórios não esteroides (a exceção é AAS prescrito para prevenção de doença cardiovascular)

10 – O paciente deve entender que até 50% dos fatores estão relacionados a questões genéticas.

Apesar de todas as recomendações dietéticas e de estilo de vida, a diverticulite aguda não é 100% prevenível, e fatores inerentes de cada pessoa também possuem forte influência. O suplemento de fibra não substitui uma dieta saudável, assim como milho, sementes e assemelhados NÃO estão associados a aumento do número de episódios.

11 – Pacientes com história de diverticulite não devem ser tratados com mesalasina, probióticos, rifaximina para evitar novos casos.

O uso de mesalasina não mostrou benefício na recorrência de diverticulite nas grandes séries assim como os demais fármacos.

12 – A diverticulite complicada é mais frequente no primeiro episódio

Isto deve ser informado ao paciente, especialmente no planejamento cirúrgico futuro.

13 – A resseção eletiva do colón não deve ser baseada no número de episódios.

14 – A decisão da ressecção do segmento cólon, deve esclarecer que reduz, porém não elimina o risco de diverticulites futuras

Cada vez mais a recomendação de cirurgia deve ser personalizada e com uma tendência de condutas mais conservadoras. O número de episódios não deve ser utilizado como justificativa porem, outros fatores como a qualidade de vida e o objetivo do paciente frente a cirurgia devem ser considerados.

Para levar para casa

Está ocorrendo uma grande mudança no manejo da diverticulite aguda, com uma tendência mais conservadora tanto na abordagem clínica como cirúrgica. Sem dúvida a cirurgia é o método com melhor controle da recorrência, porém sua indicação está cada vez mais restrita. Infelizmente, ainda vemos alguns conceitos errados difundidos na população e no meio médico.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Peery AF, Shaukat A, Strate LL. AGA Clinical Practice Update on Medical Management of Colonic Diverticulitis: Expert Review. Gastroenterology. 2021;160(3):906-911.e1. doi:10.1053/j.gastro.2020.09.059
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Publicado por
Felipe Victer

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