Doença hepática gordurosa não alcoólica e a prática de atividade física

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A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é uma das doenças hepáticas crônicas mais prevalentes no mundo moderno. Sabe-se que a perda de peso superior a 5% é associada a melhora da DHGNA e até mesmo com regressão de fibrose hepática, sendo esses benefícios secundários a melhora da resistência a insulina, estimulação do metabolismo de gordura e aumento da função mitocondrial. A prática de atividade física também é relacionada a menor risco de doença hepática gordurosa não alcoólica. No entanto, o impacto de diferentes intensidades de exercício físico e do comportamento sedentário sobre a DHGNA são ainda controversos. Recentemente, van Kleef e colaboradores avaliaram a associação entre atividade física medida objetivamente e DHGNA diagnosticada por ultrassom de abdome, com ênfase nas diferentes intensidades de esforço físico.  

Doença hepática gordurosa não alcoólica: metodologia do estudo

Foi realizada uma análise seccional da coorte prospectiva do Estudo de Rotterdam. Foram incluídos os participantes que visitam o Centro de Pesquisas do estudo entre os anos de 2009 e 2014 e que foram submetidos a ultrassom de abdome e programa de monitoramento de atividade física. A doença hepática gordurosa não alcoólica foi definida por evidência de esteatose hepática ao ultrassom, na ausência de causas secundárias: hepatite viral, drogas esteatogênicas e uso excessivo de álcool. A atividade física foi avaliada quanto a duração, intensidade e tempo sedentário por acelerômetro triaxial. O tempo médio entre a realização do ultrassom e a avaliação da atividade física foi de 40 dias. Mais de 90% dos pacientes foram avaliados até 3 meses após a ultrassonografia. Os dados obtidos pelo acelerômetro (1 mg = 9,81 mm/seg2) foram categorizados em: comportamento sedentário (48 mg), atividade física leve (48–154 mg), moderada (154–389 mg) e intensa (389 mg). Foram colhidos dados antropométricos, assim como exames laboratoriais dos participantes.  

Resultados 

Dos 1088 participantes do estudo, 667 indivíduos foram incluídos na análise final (idade 63,3 ± 6,3 anos, 53% sexo feminino). 34,3% tinham o diagnóstico de DHGNA. A atividade física total foi associada a menor prevalência de DHGNA ajustada para fatores demográficos, estilo de vida e socioeconômicos (odds ratio: 0,958 por 10 min/dia, IC95%: 0,929–0,986). A intensidade da atividade física foi inversamente proporcional a presença de DHGNA [odds ratios para atividade física leve, moderada ou intensa: 0,931 (IC95%: 0,882–0,982); 0,891 (IC95%: 0,820–0,967) e 0,740 (IC95%: 0,600–0,906) por 10 min/dia, respectivamente]. Essas associações foram explicadas pela saúde metabólica, especialmente o modelo de avaliação da homeostase de resistência à insulina (HOMA-IR) (Proporção Mediada 0,59, P < 0,001) e circunferência abdominal (Proporção Mediada 1,08, P < 0,001). Triglicérides e HDL também contribuíram para o efeito, porém em menor proporção.  

Conclusões 

A prática de atividade física está relacionada a menor prevalência de DHGNA, sendo esse benefício mediado por melhora da saúde metabólica, especialmente menor circunferência abdominal e melhor perfil glicêmico. Atividade física de qualquer intensidade é associada a redução de DHGNA, embora essa associação seja mais evidente para exercícios de alta intensidade. Estimular a prática de atividade física deve ser uma recomendação padrão para prevenção e tratamento da doença hepática gordurosa não alcoólica.  

Referência bibliográfica:

  • van Kleef LA, Hofman A, Voortman T, de Knegt RJ. Objectively Measured Physical Activity Is Inversely Associated With Nonalcoholic Fatty Liver Disease: The Rotterdam Study. Am J Gastroenterol. 2021 Dec 14. doi: 10.14309/ajg.0000000000001584.  
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