Cardiologia

Doenças por trás da fibrilação atrial e flutter atrial

Tempo de leitura: 2 min.

A fibrilação atrial e o flutter atrial são arritmias comuns em pacientes portadores de cardiopatia, muitos buscam a emergência por eventos de taquicardia que geram diversos sintomas. Inicialmente pode-se focar no tratamento da arritmia em questão, mas alguns pacientes apresentam outras doenças que ficam mascaradas por essas arritmias, não recebendo o tratamento adequado ou sofrendo consequências negativas pelo tratamento da arritmia.

Fibrilação e flutter atrial

Pensando nessa questão, um grupo canadense resolveu fazer um estudo retrospectivo de pacientes que deram entrada na emergência com este diagnóstico. O período compreendeu o ano de 2009, os pesquisadores (dois médicos da emergência e dois estudantes de medicina do último ano) eram cegados. Os pacientes eram avaliados de acordo com os registros de ECG e eram selecionados os que apresentavam fibrilação ou flutter atrial e tinha as mais variadas queixas (dispneia, dor torácica, tonteira, síncope).

Foram excluídos os pacientes que apresentavam na admissão parada cardíaca, IAM com supra de ST ou AVC. Também foram excluídos pacientes que passaram por procedimentos cardíacos há menos de sete dias antes do follow up, pacientes referenciados pelo médico assistente e pacientes que procuraram o serviço para ajuste de anticoagulação.

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O objetivo do estudo era identificar variáveis que pudessem suscitar que o paciente poderia ter uma doença mascarada pelas arritmias, sendo esse o desfecho primário.

Foi proposta a avaliação de uma série de patologias que pudessem ser mascaradas (sepse, pneumonia, insuficiência cardíaca descompensada, valvulopatia, emergência hipertensiva, DPOC descompensado, embolia pulmonar, tireotoxicose). Características do diagnóstico dessas doenças deveriam estar presentes desde a admissão, não sendo consideradas caso surgissem dias depois da entrada no hospital. Foram então propostas diversas possíveis variáveis preditoras para a identificação das doenças.

Resultados

Dos 1083 pacientes do estudo, 400 apresentaram uma doença mascarada pela fibrilação ou flutter atrial. A maioria eram idosos com múltiplas comorbidades. Os principais preditores foram a chegada ao hospital de ambulância, queixa principal de dor no peito, dispneia ou fraqueza e escore CHA2DS2-VASc >2. Essas variáveis apresentaram uma sensibilidade de 93% e uma especificidade de 54% para detecção das doenças.

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Portanto, pacientes que se apresentem na emergência com essas características devem ser avaliados para outras doenças antes da terapia específica esses tipos de arritmia, caso seja possível. Entretanto, esse estudo apenas suscita variáveis que devem ser testadas em um estudo controlado. Mesmo assim é racional postergar o tratamento da fibrilação ou flutter atrial caso haja suspeita de outra doença aguda sempre que possível.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Scheuermeyer F.X., Barrett T. et al. Decision aid for early identification of acute underlying illness in emergency department patients with atrial fibrillation or flutter. CJEM 2019:1–8
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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