Página Principal > Cirurgia > Dor lombar e hérnia de disco: você sabe conduzir adequadamente?
jaleco médico

Dor lombar e hérnia de disco: você sabe conduzir adequadamente?

A dor na coluna vertebral, mais frequentemente a dor lombar, pode apresentar inúmeras etiologias. A causa da lombalgia pode ser articular, muscular, discogênica, infecciosa ou até tumoral. Em 40% dos casos pode estar associada à hérnia de disco. ¹’²

A dor referente à herniação do disco intervertebral é provocada pela ruptura do ânulo fibroso ocorrendo assim o deslocamento do núcleo pulposo. Estudos mostram que existem nociceptores no ânulo fibroso que transmitem a dor por fibras do tipo C ou α-delta que ascendem pelo trato espino-talâmico até o córtex somato-sensitivo. ³

Fatores como a sobrecarga axial repetida, tabagismo, obesidade e trauma estão relacionados como predisponentes à hérnia de disco vertebral. Entretanto, a predisposição genética tem sido alvo de estudos recentes que avaliam genes relacionados com a codificação de cadeias polipeptídicas do colágeno e proteinoglicanos, os quais compõem a matriz do disco intervertebral.  ⁴

As melhores condutas médicas você encontra no Whitebook. Baixe o aplicativo #1 dos médicos brasileiros. Clique aqui!

O sintoma inicial da hérnia discal se caracteriza pela dor lombar, que seria a dor discogênica, sendo posteriormente superada pela dor radicular, provocada pelo deslocamento do núcleo pulposo e compressão da raiz nervosa. Em geral, a dor radicular se caracteriza por ter um trajeto bem definido, associado a parestesias, fraqueza e hiporreflexia profunda.

O principal exame diagnóstico é a Ressonância Magnética (RM) da coluna lombossacra, devendo ser complementado com radiografia dinâmica para avaliação de deformidades e doenças degenerativas, tais como espondilolisteses ou espondilólises. A RM pode evidenciar desde uma simples desidratação discal até a extrusão completa do seu conteúdo discal, com ou sem migração, podendo ocupar o canal vertebral e comprimir raízes nervosas ascendentes ou descendentes. Em casos mais brandos, a sintomatologia principal é a dor lombar axial e de padrão mecânico. Há casos mais extremos e mais raros onde encontramos paresia de grupamentos musculares e perda de controle esfincteriano vesical/fecal.

O tratamento inicial dos casos brandos deve ser realizado com relaxantes musculares, analgésicos comuns (dipirona, paracetamol, etc.) e anti-inflamatórios não esteroides por um período de quatro semanas. Os opioides podem ser utilizados em casos de dor extrema por curto período – 3 a 7 dias. Outras opções para casos de dor refratária são o corticoides oral, intramuscular ou até mesmo peridural. O objetivo do tratamento não cirúrgico é o alívio do quadro álgico o mais rapidamente possível, seguido pela reabilitação motora e postural. Atualmente, o repouso relativo deve ser feito apenas na fase inicial e até o alívio da dor incapacitante. O retorno das atividades deve ser o mais precoce possível.

Veja também: ‘Pregabalina para dor crônica lombar tipo ciática é um tratamento eficaz?’

O tratamento cirúrgico fica reservado para os casos de falha do tratamento conservador ou para os casos em que há déficit neurológico progressivo, paresia e distúrbio esfincteriano.  ¹’²

Autora:

Referências:

  • ¹Manual de Cirurgia da Coluna vertebral. Ali A. Baaj. DiLivros 2012.
  • ²Coluna vertebral: conceitos básicos. Edson Pudles. Artmed 2014.
  • ³Estudo comparativo dos mecanorreceptores dos discos intervertebrais normais e degenerados da coluna lombar de humanos pela radiografia, ressonância magnética e estudo anatomopatológico. Valdeci Manoel de OliveiraI; Eduardo Barros PuertasII; Maria Teresa de Seixas AlvesIII; Hélio Kiitiro YamashitaIV Acta ortop. bras. vol.15 no.1 São Paulo 2007.
  • ⁴Lumbar disc herniation. Luis Roberto VialleI; Emiliano Neves VialleII; Juan Esteban Suárez HenaoIII; Gustavo GiraldoIII Rev. bras. ortop. vol.45 no.1 São Paulo 2010.

 

Um comentário

  1. DJALMA ARAUJO LUZ

    Não posso deixar de parabenizar a equipe por esses brilhantes lembretes diário; é uma forma de reciclagem constante que flui naturalmente em nossas vidas corridas. Parabéns!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.