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hemorragia digestiva baixa

Dor renal grave: adição de cetamina à morfina é eficaz?

O cálculo renal ou urolitíase é uma doença muito comum, que desenvolve-se quando o sal e as substâncias minerais contidas na urina formam cristais, os quais aderem-se uns aos outros crescendo em tamanho. As cólicas renais podem ser desenvolvidas por diferentes causas, incluindo obstrução do fluxo urinário ou aumento da pressão nas paredes do trato urinário.

O uso de analgésicos eficazes, como anti-inflamatórios não esteroides, opioides ou combinação de fármacos (anti-inflamatórios e antiespasmódicos), desempenha um papel essencial no tratamento desta condição.

Um número limitado de estudos foi realizado sobre os efeitos da dose baixa de cetamina com morfina para o tratamento da cólica renal.

Recentemente, foi publicado no American Journal of Emergency Medicine um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, que comparou o efeito da morfina e placebo com morfina e baixa dose de cetamina no tratamento de pacientes com cólica renal que foram encaminhados ao departamento de emergência. Este estudo mostrou que a adição de cetamina na dose de 0,15 mg/kg reduziu a dor e a necessidade de morfina dos pacientes.

Para o estudo, foram incluídos os pacientes que apresentaram gravidade da dor de pelo menos 6 de 10 na escala visual analógica. Estes foram, então, divididos em dois grupos: 1) morfina 0,1 mg/kg e placebo (grupo MP); e 2) morfina 0,1 mg/kg e cetamina 0,15 mg/kg (grupo MC). A dor dos pacientes foi avaliada em 10, 30, 60, 90 e 120 min após a injeção.

Veja também: ‘Pacientes com doença renal crônica têm maior risco de infecções’

No total, 106 pacientes foram avaliados, sendo 71 homens e 35 mulheres. A média de idade foi de 40,92 anos. Entre os grupos analisados, a média de idade dos pacientes foi semelhante (49,42 e 51,58 anos no grupo MP e grupo MC, respectivamente, p=0,7).

Na linha de base, a média do índice de dor foi de 7,9 pontos em ambos os grupos. Em 120 minutos, a média do índice de dor foi < 1 ponto em ambos os grupos. No entanto, aos 10 e 30 minutos, o grupo com cetamina (MC) apresentou uma média de índice de dor significativamente menor do que o grupo placebo (MP) (4,6 versus 6,0 em 10 minutos; 3,7 versus 4,8 em 30 minutos) e necessitou de menos doses adicionais de morfina (10 versus 26).

Náuseas, vômitos, depressão respiratória e hipotensão foram significativamente mais frequentes em pacientes do grupo MP.

Dado que a combinação de morfina com baixas doses de cetamina em pacientes com cólica renal causam maior redução da dor e do consumo de morfina, essa combinação é sugerida como um tratamento alternativo que pode ser utilizado em pacientes com cólica renal.

E mais: ‘Como interpretar níveis de troponina em paciente com disfunção renal?’

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Referências:

  • Abbasi S, et al, Can low-dose of ketamine reduce the need for morphine in renal colic? A double-blind randomized clinical trial, American Journal of Emergency Medicine (2017), http://dx.doi.org/10.1016/j.ajem.2017.08.026

2 Comentários

  1. Marco A K Cervantes

    Posso estar enganado, mas nos guidelines mais recentes e protocolos, os antiespasmódicos (Buscopam) não trazem benefícios na cólica renal. O buscopan composto alivia a dor, mas devido à dipirona.

    • Ana Carolina Pomodoro

      Olá, Marco! Realmente esse é um tema controverso. Ainda há várias divergências na literatura sobre esse assunto, e nem todo autor de fato recomenda seu uso. Muito obrigada por seu retorno! Foi boa a lembrança desse ponto. Aproveitamos para lhe convidar a continuar acompanhando e participando do nosso portal, que é desenvolvido justamente para isso: trazer as atualizações mais recentes e debater as mesmas com os outros médicos e equipes afins.

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