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DPOC na emergência: mitos e verdades [ABRAMEDE 2018]

Tempo de leitura: 3 minutos.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) afeta hoje sete milhões de brasileiros e é responsável por cerca de 107 mil internações hospitalares por ano. É a terceira maior causa de mortalidade prevista no mundo. Na palestra sobre o tema, Sabrina Ribeiro falou sobre os mitos e verdades do DPOC no departamento de emergência.

Como identificar o DPOC

Sinais cardinais:

– Piora da dispneia
– Aumento da expectoração
– Mudança da qualidade da expectoração

O DPOC pode ser classificado, de acordo com a sua gravidade, como leve, moderado e grave.

Principais achados clínicos:

  • Tabagismo: muito sensível, porém pouco específico
  • > 70 maços/ano
  • História de sibilância

O que o médico deve procurar:

– Severidade;
– Número de exacerbações prévias;
– Gravidade das exacerbações;
– Características da expectoração;
– Fatores precipitantes: infecções respiratórias ou sistêmicas e embolia pulmonar são os principais fatores.

LEIA MAIS: Posso descartar embolia pulmonar sem pedir o D-dímero?

Exames:

– Oximetria de pulso;
– Raio-x de tórax;
– Gasometria arterial: colher em todos pacientes com alteração do nível de consciência ou de oxigenação em relação ao seu padrão basal;
– Laboratorial: hemograma, eletrólitos, glicemia, BNP (se pensar em IC), troponina, tomografia de tórax (se pensar em infecção, TEP).

Mito:

A radiografia de tórax alterada tem uma sensibilidade muito baixa. A maioria dos pacientes não vai apresentar resultado alterado. São todos sinais pouco sensíveis:

– Diafragma direito abaixo da sétima costela;
– Aumento do espaço retroesternal;
– Aumento do diâmetro cardíaco.

Tratamento do DPOC

– Os broncodilatadores são indicados para todos os pacientes;
– Beta-agonista + anticolinérgico;
– Corticoide: atualmente se preconiza prednisona 40 mg VO 1x/dia. Utilizar metilprednisolona EV se a via oral estiver indisponível (cerca de 20-40 mg de 8/8 horas). Utilizar por cinco dias (fazer por 14 dias não tem benefício adicional);
– Antibioticoterapia: indicados em casos de exacerbações moderadas a graves, como na suspeita de traqueobronquite (presença de mudança na qualidade da expectoração).
– Antiviral: fazer nos pacientes com sintomas gripais;
– Oxigenioterapia: manter saturação de O2 entre 88-92% (acima disso não há indicação de oxigênio). Paciente com hiperoxia tem maior mortalidade, então sempre manter entre 88-92% de saturação;
– VNI: os pacientes que mais se beneficiam são aqueles com acidose. A resposta que se procura é justamente a melhora da acidose e a diminuição da frequência respiratória. Se o doente não apresentar melhora rapidamente, deve-se considerar intubação orotraqueal.

Quais pacientes devem ser internados?

– Sintomas severos;
– Insuficiência respiratória;
– Indivíduos sem suporte domiciliar;
– Sinais novos como cianose e edema periférico.

Pacientes com doença avançada necessitam de acompanhamento multidisciplinar e planejamento avançado com proposta de cuidados de fim de vida.

Quais pacientes devem ser internados na UTI?

– Pacientes com pouca resposta
– Alterações do estado mental
– Hipoxemia severa (< 40 mmHg) ou acidose importante
– Ventilação invasiva
– Instabilidade hemodinâmica

Take-home message:

– Monitorar balanço hídrico;
– Considerar uso de profilaxia de tromboembolismo venoso;
– Tratar condições associadas;
– Introduzir tratamento de longo prazo antes da alta.

MAIS DO CONGRESSO ABRAMEDE 2018

Doenças crônicas:

Insuficiência cardíaca:

Medicina Interna:

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Sepse:

Trauma:

Cetoacidose diabética:

Síndrome coronariana aguda:

Asma grave:

A PEBMED ESTÁ NO ABRAMEDE 2018

Entre os dias 25 e 28 de setembro, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) promove em Fortaleza (CE) a 6ª edição do maior Congresso de Medicina de Emergência Adulto e Pediátrico da América Latina. O evento conta com workshops, cursos e palestras com os maiores especialistas da área. A PEBMED está em Fortaleza e vamos publicar aqui no Portal com exclusividade as principais novidades do evento.

Autor:

Eduardo Cardoso de Moura

Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Residência em Clínica Médica pela UFRJ ⦁ Diretor de Conteúdo e Co-fundador da PEBMED

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