Infectologia

ECCMID 2021: como abordar a endocardite em pacientes geriátricos?

Tempo de leitura: 3 min.

Antibioticoterapia em pacientes geriátricos pode ser um desafio na prática clínica devido ao aumento na frequência de eventos adversos, fragilidade e interações medicamentosas. Alterações que ocorrem com envelhecimento podem afetar aspectos de farmacocinética, principalmente na concentração e eliminação de antibióticos, e de farmacocinética, como alterações no sistema cardiovascular, redução da reserva hematopoiética e maior suscetibilidade a infecções do SNC.

Nesse contexto, infecções consideradas difíceis de tratar, como endocardite, podem se tornar especialmente desafiadoras. Além dos aspectos já citados, determinar a dose e a via de administração mais adequadas e a seleção difícil de pacientes em casos cirúrgicos são exemplos de dificuldades que os profissionais de saúde podem encontrar na assistência desses pacientes.

O perfil de segurança também deve ser avaliado. Indivíduos mais velhos estão sob maior risco de insuficiência renal aguda relacionada a medicamentos. Dentre as classes de antibióticos, algumas estão mais associadas a esse evento, especialmente aminoglicosídeos.

Endocardite em pacientes geriátricos

Os guidelines de endocardite não abordam especificamente idosos. Por esse motivo, a apresentação sobre o tema no European Congress of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (ECCMID 2021)  procurou mostrar formas de otimizar as recomendações existentes para serem aplicadas em pacientes geriátricos. Alguns dos pontos destacados foram:

  • Dar preferência a tratamentos em monoterapia;
  • Caso terapia combinada seja necessária, evitar aminoglicosídeos por sua associação com insuficiência renal aguda;
  • Fazer uso criterioso de infusões contínuas, uma vez que restringem a mobilidade do paciente por tempo prolongado, o que pode ter impacto negativo em idosos, principalmente os com capacidade reduzida;
  • Quando possível, monitorar os níveis séricos do antibiótico selecionado.

Embora ainda pouco difundida, uma opção de tratamento destacada na apresentação foi a dalbavancina, um lipoglicopeptídeo de ação prolongada. Características como atividade contra bactérias Gram positivas, a administração semanal ou a cada 2 semanas, um perfil de segurança favorável em relação à toxicidade renal e neurológica e a ausência de interações medicamentosas importantes.

Ainda não existem estudos controlados do uso dessa droga em endocardite, mas a prática clínica do centro apresentador é com o uso de 1.500 mg, IV, a cada 2 semanas por quatro a seis semanas.

Veja também: Antibioticoprofilaxia para endocardite: mudanças nas recomendações

Para casos com indicação cirúrgica, pode-se considerar não operar indivíduos mais frágeis. Terapia supressiva – com a dalbavancina novamente sendo apresentada como opção terapêutica – poderia ser uma alternativa nesses casos, mas não há consenso sobre os critérios de seleção de pacientes candidatos.

Abordagem integral

Outro destaque é a necessidade de uma abordagem integral do paciente, com atenção para a avaliação de outros fatores como controle de comorbidades, perda de funcionalidade, status cognitivo, psicossocial e nutricional e polifarmácia. Uma estratégia para otimizar esse cuidado integral é envolver geriatras na assistência desses pacientes como parte da equipe multiprofissional.

Estamos cobrindo o ECCMID 2021, não deixe de acompanhar com a gente!

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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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