Infectologia

ECCMID 2021: como prevenir a endocardite infecciosa?

Tempo de leitura: 3 min.

Endocardite infecciosa é uma condição associada a grande morbidade, com tratamento antibiótico prolongado, e que pode necessitar de tratamento cirúrgico e mesmo levar a óbito.

Um painel com especialistas no European Congress of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (ECCMID 2021) discutiu alguns aspectos em relação à prevenção dessa infecção.

Prevenção de endocardite infecciosa

  1. Apesar de recomendações regularmente atualizadas sobre o uso de profilaxia antibiótica para endocardite infecciosa, a morbidade e a mortalidade por essa condição permanecem estáveis ao longo do tempo.
  2. Atualmente, a profilaxia está voltada para os indivíduos de alto risco de endocardite infecciosa ou de desfecho desfavorável em procedimentos dentários invasivos. O guideline da NICE no Reino Unido de 2008 não recomenda a profilaxia em qualquer situação.
  3. O documento mais recente da AHA de 2021 recomenda profilaxia em procedimentos dentários em quatro grupos de indivíduos considerados de alto risco: portadores de valva cardíaca protética ou outros dispositivos cardíacos implantáveis, indivíduos com endocardite prévia ou recorrente, doença cardíaca congênita e receptores de transplante cardíaco.
  4. São considerados procedimentos de alto risco os que envolvem manipulação do tecido gengival ou região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral. Para procedimentos não dentários, não há recomendação para prescrição de antibioticoprofilaxia.
  5. Manter uma boa higiene oral e acesso regular a cuidados odontológicos são considerados mais importantes do que antibióticos.
  6. O esquema preferencial continua sendo amoxicilina 2g VO 30 a 60 minutos antes do procedimento (50 mg/kg em crianças). Clindamicina não é mais recomendada, sendo cefalexina 2 g, azitromicina 500 mg, claritromicina 500 mg ou doxiciclina 100 mg as opções para pacientes alérgicos a penicilina.
  7. Uso de vacinas e anticorpos monoclonais contra patógenos específicos não se mostraram eficazes até o momento.
  8. Pela associação entre colonização nasal por Staphylococcus aureus e bacteremia por esse patógeno, especula-se se a descolonização de pacientes colonizados de alto risco poderia diminuir o risco de endocardite infecciosa.
  9. Outro foco de pesquisa atual é o desenvolvimento de materiais com menor potencial de adesão por parte dos patógenos comumente envolvidos na etiologia da endocardite infecciosa.

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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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