Infectologia

ECCMID 2021: RT-PCR ou teste rápido de antígeno para Covid-19?

Tempo de leitura: 3 min.

Durante o período de pandemia de Covid-19, houve grande desenvolvimento em métodos diagnósticos para detecção de infecção por SARS-CoV-2. No contexto de emergências e em leitos de internação, métodos que possam fornecer resultados de forma rápida e com alta acurácia são desejáveis.

Embora a realização de RT-PCR em swabs nasofaríngeos seja considerado o método padrão-ouro para diagnóstico, questões como aceitabilidade e custos são barreiras para sua aplicação de forma ampla. Já os testes rápidos de antígenos foram desenvolvidos para permitir a tomada rápida de decisão, mas questionamentos em relação à adequabilidade da performance dos testes podem limitar sua aplicabilidade.

Um painel do European Congress of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (ECCMID 2021) abordou vários pontos sobre esses métodos diagnósticos, com estudos conduzidos em diferentes contextos de prática clínica. Veja os principais resultados a seguir.

Sensibilidade de RT-PCR e teste rápido de antígenos em amostras de saliva e swabs nasofaríngeos em pacientes hospitalizados com Covid-19

  • RT-PCR de swab nasofaríngeo foi o método com maior sensibilidade para o diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2 em pacientes hospitalizados com doença moderada a grave.
  • RT-PCR de amostras salivares pode ser uma alternativa em pacientes em que não seja possível a realização de swab nasofaríngeo, principalmente se a coleta ocorrer nos primeiros sete dias de sintomas.
  • A sensibilidade dos testes de antígeno foi menor do que os exames de RT-PCR em ambos os tipos de amostra. Por esse motivo, os autores não recomendam seu uso em pacientes hospitalizados.

Avaliação do uso de teste rápido de antígeno em pacientes admitidos na unidade de emergência

Em um estudo italiano, pacientes eram atendidos em áreas separadas na unidade de emergência de acordo com a probabilidade clínica de infecção por SARS-CoV-2. Os pacientes sintomáticos eram considerados como alta probabilidade pré-teste e encaminhados para uma área Covid-19 e os assintomáticos eram considerados como baixa probabilidade e encaminhados para uma área não Covid.

Em ambas as áreas de atendimento, foram realizados testes rápidos de antígeno (STANDARD F COVID-19 Ag FIA test), cujos resultados foram confirmados ou não com RT-PCR.

  • Para a área Covid (com pacientes sintomáticos), a análise da performance do teste mostrou uma sensibilidade de 68%, uma especificidade de 98,3%, um VPP de 88,8% e um VPN de 95,1%;
  • Para a área não Covid-19 (com pacientes assintomáticos), encontrou-se uma sensibilidade de 41,9%, uma especificidade de 97,3%, um VPP de 27,3% e um VPN de 98,6%.

Esses resultados demonstram melhor performance desse teste de antígeno em casos sintomáticos do que em casos assintomáticos.

Os autores concluem que a implementação do teste rápido permitiria evitar a realização de RT-PCR em 1.855 amostras, o que representa 64% das amostras testadas no departamento de emergência no hospital em questão.

Comparação de performance diagnóstica do teste rápido de antígeno usando transporte em meio viral ou com teste direto

A maioria dos kits comerciais de teste rápido de antígeno para SARS-CoV-2 descreve a possibilidade de realização do teste diretamente a partir do swab ou por meio de utilização de meio viral de transporte, mas não há dados comparando as técnicas.

Um estudo alemão comparou a performance diagnóstica das duas técnicas, utilizando RT-PCR como padrão-ouro de referência.

Para o teste, encontrou-se uma sensibilidade de 58,6% e a especificidade de 99,6%. Já quando se utilizou meio de transporte viral, a sensibilidade encontrada foi de 67,8% e a especificidade foi de 97,8%.

O uso de meio de transporte viral aumentou a sensibilidade do teste, embora tenha havido uma perda moderada de especificidade. Os autores sugerem adicionar o meio de transporte viral na rotina de teste rápido de antígeno, pois, além do aumento de sensibilidade, poderia permitir coleta de uma única amostra para realização de teste rápido e de RT-PCR, o que diminuiria os custos e o desconforto do paciente.

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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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