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Edema tardio, intermitente e persistente com uso de ácido hialurônico

Tempo de leitura: 3 minutos.

Cada vez mais usados, os preenchedores faciais podem ser não biodegradáveis (permanentes) ou biodegradáveis (temporários). Como exemplo de permanentes temos silicone, polimetilmetacrilato, hidroxiapatita de cálcio, entre outros. Todos esses têm risco maior de reações tardias tipo corpo estranho. Entre os biodegradáveis encontra-se o ácido hialurônico (AH), o mais usado atualmente.

O AH é um componente tecidual da pele e cartilagens e sua estrutura química é muito semelhante entre as espécies, diminuindo o risco de imunogenicidade. Entretanto, não está livre de complicações, que podem ser divididas em imediatas/curto prazo, que ocorrem imediatamente após a aplicação ou em até 2 semanas após o procedimento, e a longo prazo, ocorrendo até anos após o procedimento.

Edema tardio intermitente e persistente

Caracterizado clinicamente, o edema tardio intermitente e persistente (ETIP) consiste em episódios recidivantes de edema no local da injeção do AH, que apresentam períodos curtos ou longos de remissão, sem evidência de nódulos palpáveis definidos. Ao exame ultrassonográfico observa-se a presença do AH em correspondência à área edemaciada, associada a aumento difuso da espessura e da ecogenicidade do tecido celular subcutâneo (paniculite).

O ultrassom é um método de exame de imagem não invasivo, de fácil acesso, que vem sendo cada vez mais utilizado na prática clínica. A ultrassonografia oferece informações relevantes sobre reações adversas aos preenchedores, sendo uma importante ferramenta na cosmiatria para melhor compreensão das complicações após preenchimentos.

O ETIP em geral tem um fator desencadeante, um gatilho, na maioria das vezes um quadro infeccioso e esse dado foi próximo ao encontrado no artigo de Beleznay, em que 39% dos pacientes relataram infecção do trato respiratório ou procedimento dentário precedendo o surgimento das reações. Dado a resolução espontânea dos nódulos, a curta duração do episódio e a resposta a tratamentos incluindo esteroides e hialuronidase, Beleznay e colaboradores defendem a ideia de que esses tipos de reações observadas com o AH são mais consistentes com uma etiologia imunomediada em oposição a um biofilme, que é um mecanismo comumente implicado na literatura.

A opinião daqueles autores é que, quando o AH é injetado em um indivíduo predisposto, gatilhos como infecções do trato respiratório, procedimentos dentários, infecções sistêmicas bacterianas ou virais, vacinação e traumas na face podem desencadear um processo inflamatório em correspondência à área injetada, dada a característica imunogênica do preenchedor, bem como sua capacidade de reter água, configurando assim o edema local.

Cuidados e tratamento

O tratamento dos ETIPs ainda não foi estabelecido. Muitos autores preconizam o uso de antibióticos, anti-inflamatórios não hormonais, corticoides tópicos e sistêmicos e injeção intralesional de hialuronidase. Cada caso deve ser avaliado individualmente e o gatilho, fator desencadeante, deve ser determinado.

O risco de complicações tardias como o ETIP é muito baixo, sendo o AH um produto muito seguro, especialmente pela sua característica de reversibilidade. A técnica usada na aplicação do produto deve seguir os critérios da boa prática cirúrgica. Cuidado especial com antissepsia é fundamental. Deve-se evitar o procedimento em pacientes com infecção ativa na face, como acne e homens devem remover a barba diminuindo o risco de contaminação.

Quando muita quantidade de AH é utilizada, o que vem ocorrendo com frequência, em especial devido à popularização da técnica MD Codes ®, um corticoide sistêmico de depósito pode ser usado na véspera. A documentação fotográfica é fundamental, assim como o consentimento informado.

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Referências:

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