Ginecologia e Obstetrícia

Efeito da administração materna de O² na pressão parcial de oxigênio venosa do cordão umbilical

Tempo de leitura: 2 min.

Durante o trabalho de parto, muitas vezes é necessário administrar oxigênio para a gestante, tanto para bem estar materno, quanto para garantir o aporte de oxigênio para feto. Mas existem poucos estudos sobre a segurança no tempo e dose de oxigênio administrado. Por isso hoje trago um artigo com este tema para discussão.

Estudo

Em maio de 2022 foi publicado um estudo de caso-controle randomizado no American Journal of Obstetrics and Gynecology, com o objetivo de avaliar o efeito da administração materna de oxigênio de alta concentração e de longa duração, durante o trabalho de parto na pressão parcial de oxigênio venosa do cordão umbilical.

Os autores incluíram mulheres com cardiotocografia categoria 1 e em trabalho de parto. Elas foram randomizadas em uma proporção de 1:1 para oxigênio ou ar ambiente. O grupo de oxigênio recebeu 10L de oxigênio por minuto por máscara facial simples apertada até o parto. O grupo de ar ambiente recebeu apenas ar ambiente sem máscara facial. O desfecho primário foi a pressão parcial venosa de oxigênio do cordão umbilical.

Um total de 661 mulheres foram triadas pelos autores e 521 foram excluídas; 140 participantes com cardiotocografia categoria 01 foram inscritas e randomizadas para oxigênio (N = 70) ou ar ambiente (N = 70). Um total de 135 mulheres com gases venosos e arteriais do cordão umbilical validados foram incluídas nas análises de pressão parcial de oxigênio e pH arterial do cordão umbilical. Todas as 140 mulheres foram incluídas na análise da cardiotocografia. As características basais foram semelhantes entre os grupos oxigênio e ar ambiente. A duração da exposição ao oxigênio foi de cerca de 322 ± 147 minutos. Não houve diferenças entre os grupos oxigênio e ar ambiente na pressão parcial de oxigênio venosa do cordão umbilical (diferença média de 1,1 mmHg, intervalo de confiança de 95% -1,0 a 3,2; P = 0,318), ou a proporção de participantes com coração fetal de categoria II traçados de taxa (81,4% versus 78,6%, risco relativo 1,04, intervalo de confiança de 95% 0,88 a 1,22; P = 0,672). No entanto, o pH arterial do cordão umbilical foi significativamente menor no grupo oxigênio do que no grupo ar ambiente (mediana 7,23, intervalo interquartil 7,20 – 7,27 versus mediana 7,27, intervalo interquartil 7,20 – 7,30; P = 0,005).

Conclusão

A partir desse estudo, os autores concluíram que a administração materna de oxigênio de alta concentração e de longa duração durante o trabalho de parto não afeta a pressão parcial de oxigênio venosa do cordão umbilical ou a distribuição do padrão de frequência cardíaca fetal, mas resultou em uma deterioração do pH arterial do cordão umbilical ao nascimento. Portanto devemos administrar oxigênio para a gestante em trabalho de parto apenas quando necessário, não podendo ser rotina nas maternidades.

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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci

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