Efetividade da osteopatia na constipação refratária por ptose do cólon transverso - PEBMED

Efetividade da osteopatia na constipação refratária por ptose do cólon transverso

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Constipação é uma condição patológica caracterizada pela dificuldade em evacuar, seja pela passagem das fezes, seja pela baixa frequência de evacuações ou ambas as causas. Desde 1700, os médicos já estavam convencidos de que a diminuição das evacuações estava se tornando mais comum devido a mudanças na dieta, nos níveis de exercício e no ritmo de vida associado com a urbanização. E como percebemos estas questões permanecem até os dias de hoje. 

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O estudo anatômico dos intestinos vem desde a época de Galeno (129-216 d.C.), porém apenas na era medieval, os anatomistas começaram a se dedicar ao estudo das estruturas físicas do estômago, do colón e dos intestinos, com a dissecção de cadáveres. Leonardo da Vinci (1508) foi responsável pelas primeiras representações do trato gastrointestinal. Apesar de tantos séculos dedicados ao estudo dos intestinos e da constipação, ainda há dúvidas de qual a localização topográfica do cólon transverso. 

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Ptose do cólon

A ptose do cólon (ou queda) foi conceituada em 1922 por Cannon, como rebaixamento do segmento transverso, em forma de “V”, podendo estender-se até o nível pélvico. Quando mais agudos forem os ângulos das flexuras esplênica e hepática, provavelmente maior será a gravidade da sintomatologia, que inclui flatulência, distensão abdominal e a constipação. Segundo estas autoras, as principais causas destas enteroptoses são anormalidades congênitas, neurastenia, multiparidade e carregamento de peso. Esta alteração anatômica pode levar a sintomas dispépticos, tais como flatulência, distensão abdominal e, principalmente, a constipação secundária. 

Constipação intestinal é definida pelos critérios clínicos estabelecidos pelo Consenso de Roma IV, conforme quadro abaixo:

• Esforço para defecar em mais de 25% das evacuações 

• Fezes endurecidas ou de cabrito em mais de 25% das evacuações  (Figura 1 – Escala de  Bristol)

• Sensação de evacuação incompleta em mais de 25% das evacuações.

• Sensação de obstrução ou bloqueio anorretal em mais de 25% das evacuações.

• Necessidades de manobras para facilitar as evacuações em mais de 25% das evacuações.

• Menos do que três evacuações por semana.

• Fezes amolecidas raramente ocorrem sem o uso de laxativos.

• Critérios insuficientes para o diagnóstico de síndrome do intestino irritável com constipação.

Obs: Presença de pelo menos dois dos sintomas acima.

Figura 1 — Escala de  Bristol  — Constipação
Figura 1 — Escala de  Bristol

 

Posicionamento normal do intestino
Grau 0 – Posicionamento normal do intestino

A  posição do cólon transverso é variável, sendo livremente móvel no abdome, podendo se estender até a pelve, sendo chamado de transverso pélvico; porém, não haviam estudos sobre esta distribuição topográfica. Nosso grupo, estudou e publicou sobre a topografia dos intestinos de quase 200 pacientes que realizaram exames com contrastes do intestino e sugeriu classificação em 3 graus de enteroptose (queda do intestino). 

Ptose leve do cólon transverso
Grau 1 – Ptose leve do cólon transverso
Ptose verdadeira do cólon transverso
Grau 2 — Ptose verdadeira do cólon transverso

Tratamento da constipação crônica

A prevalência de constipação no Brasil, assim como em todo o mundo é bastante elevada, levando os pacientes a uma busca incessante por tratamentos médicos. A correta causa da constipação, a abordagem terapêutica adequada são fundamentais para melhora da frequência das evacuações, da consistência das fezes e dos sintomas, levando a impacto positivo na qualidade de vida dos nossos pacientes.

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As medidas comportamentais  são as mais relevantes. O tratamento não medicamentoso inclui adoção de hábitos alimentares saudáveis, aumento da ingestão de fibras e líquidos, reeducação da função intestinal e estímulo aos exercícios físicos, em geral, são efetivos, nos casos leves a moderados de constipação. Nos casos mais intensos ou refratários podem ser necessárias prescrição de medicamentos, tratamentos complementares e até cirurgias.

O fluxograma abaixo sumariza as opções terapêuticas para constipação,  segundo a World Gastroenterology Organization.

World Gastroenterology Organization constipaçãoNosso  grupo, realizou revisão de literatura sobre os efeitos do tratamento osteopático na constipação intestinal. A pesquisa  foi realizada nas bases de dados eletrônicas Portal CAPES, Bireme, Cochrane Library, LilacsMedlinePubMed e Scielo e incluiu 112 estudos, concluindo que a osteopatia é um tratamento complementar para a constipação intestinal, melhorando os sintomas, reduzindo a gravidade dos quadros, diminuindo o tempo do trânsito colônico, aumentando a motilidade intestinal e a qualidade de vida dos pacientes. Estudo prospectivo está sendo conduzido, para confirmar a efetividade da osteopatia na constipação refratária, em especial por ptose do cólon transverso.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sparvoli AC. Percepções sobre a história da constipação intestinal. Suplemento Especial em Gastroenterologia Takeda.  2021;1(1).  ISSN 2675-9896
  • Andrade VLÂ, et al.  Avaliação topográfica do cólon transverso pelo enema opaco: definição, prevalência e proposta de classificação da ptose do cólon transverso.  ED gastroenterol. endosc. dig. 2014: 33(3): 83-87. https://sbhepatologia.org.br/pdf/edicao_3_artigo_1.pdf
  • Drossman D. Q & A Constipation. Disponível em: https://theromefoundation.org/constipation.  Acesso em junho 2021.
  • Carvalho RC, Maglioni CB, Machado GB, et al. Prevalence and characteristics of chronic pain in Brazil: a national internetbased survey study. Br J Pain. 2018;1(4):331-8. doi: 10.5935/2595-0118.20180063
  • Palsson OS, Whitehead W, Tornblom H, et al. Prevalence of Rome IV Functional Bowel Disorders Among Adults in the United States, Canada, and the United Kingdom. Gastroenterology. 2020;158(5):1262-1273.e3. doi: 10.1053/j.gastro.2019.12.021
  • Vale JR, Carvalho HFB, Andrade VLA, Almeida LC. A efetividade do tratamento osteopático na constipação intestinal: uma revisão sistemática. GED gastroenterol. endosc. dig. 2017; 36(2):68-74. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2017/12/876764/a-efetividade-do-tratamento.pdf

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