Eficácia do uso de máscaras faciais no controle da disseminação do SARS-CoV-2

Tempo de leitura: 3 min.

Antes do aparecimento da pandemia por SARS-CoV-2 o uso da máscaras faciais para proteção contra doenças respiratórias era controverso, pois não havia estudos suficientes que comprovassem sua efetividade. Com o avanço da pandemia e necessidade de diminuir ao máximo a capacidade de contaminação interpessoal, estudos sobre o uso de máscaras faciais foram amplamente realizados e hoje temos algumas evidências concretas e satisfatórias.

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O vírus da Covid-19 se espalha principalmente através de partículas expelidas pelo trato respiratório superior durante a respiração de uma pessoa infectada, principalmente através da fala, tosse e espirro. A maioria dessas partículas é menor que 10 micrometros de diâmetro e são denominadas de aerossóis. O número dessas partículas eliminadas durante a respiração aumenta proporcionalmente a força exalada. As partículas maiores não permanecem no ar durante muito tempo, porém as menores tem a capacidade de ficar no ambiente aéreo por mais tempo, aumentando as chances de contaminação principalmente em ambientes fechados, sem ventilação e com proximidade de pessoas.

Resultados das análises

Muitos estudos concluíram que o uso de máscaras faciais pela população diminui substancialmente o risco de transmissão de SARS-COV-2 de duas maneiras. Primeiro elas bloqueiam a exalação de partículas do vírus de pessoas infectadas, impedindo que outras pessoas sejam contaminadas. E essa qualidade é muito importante, uma vez que mais de 50% das transmissões são ocasionadas por pacientes assintomáticos ou por pacientes que ainda estão na fase inicial da doença. Segundo, o uso de máscaras por pessoas não infectadas fornece uma barreira mecânica, impedindo que partículas maiores alcancem a mucosa da boca ou nariz, além de poderem filtrar parcialmente as partículas de menor tamanho. E nos estudos também evidenciou-se que máscaras com mais de uma camada de proteção ou de panos relativamente grossos são mais eficazes que as finas ou somente com uma camada, bloqueando de 50% a 70% as partículas exaladas. Porém a efetividade das máscaras de pano irá depender muito da qualidade do tecido, do design da máscara e do tamanho das mesmas.

Saiba mais: Máscaras faciais e crianças: quais são as evidências científicas sobre uso?

Muitos estudos evidenciaram uma diminuição significativa dos casos de Covid-19 em ambientes onde o uso da máscara era obrigatório e comparando os estados antes e depois da política de obrigatoriedade do uso de máscaras faciais em geral.

O uso de máscaras pode ser desconfortável principalmente em ambientes quentes ou na prática de exercícios físicos, além de diminuir a comunicação visual entre as pessoas, principalmente entre crianças e deficientes auditivos. Porém crianças entre 7 e 15 anos demonstraram ser capazes de entender as expressões emocionais mesmo com a face coberta e atualmente a FDA autorizou o uso de determinadas máscaras transparentes para diminuir esse fator.

Preocupações em torno da reinalação de gás carbônico expirado ou diminuição de oxigenação pelo uso de máscaras faciais já foram eliminados com a realização de diversos estudos que demonstraram não haver nenhuma interferência significativa no padrão respiratório de todos os pacientes.

Conclusão

Portanto, de uma forma geral, o uso de máscaras faciais por toda a população impede que o vírus seja exalado ou inalado, diminuindo as chances de contaminação pelo SARS-COV-2.

O controle mundial da pandemia necessita de um trabalho comunitário e sacrifício de toda a população em conjunto com as autoridades de saúde, cada um fazendo adequadamente a sua parte. O uso das máscaras combinado com outros fatores de controle, como lavagem das mãos e distanciamento social, são fundamentais para o controle da pandemia, principalmente no avanço de novas cepas mutantes até que níveis efetivos da vacinação sejam alcançados mundialmente.

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Referências bibliográficas:

  • Brooks JT, Butler JC. Effectiveness of Mask Wearing to Control Community Spread of SARS-CoV-2. JAMA; 2021;325(10):998-999. doi:10.1001/jama.2021.1505
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Publicado por
Gabriela Queiroz

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