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Eixo Intestino-Cérebro: Entenda seu funcionamento e relação com doenças mentais.

Tempo de leitura: 2 minutos.

A partir dos anos 80, as relações entre o sistema nervoso, entérico e suas implicações na qualidade de vida, etiopatogenia de doenças e saúde mental começaram a ser pesquisadas com maior profundidade pela comunidade científica.

Por meio de interações físicas, neuronais, sensoriais, imunológicas endócrinas e parácrinas, principalmente via peptídeos entéricos, há uma comunicação complexa e bidirecional entre sistema nervoso central e trato gastrointestinal. Ou seja, afecções e alterações psíquicas podem interferir em processos digestivos, absortivos, secretivos e sacietógenos. A via contrária também mostra-se real, onde condições inflamatórias intestinais relacionam-se com alterações psíquicas como tomadas de decisões, afeto, humor e saciedade.  

Há também a importante presença da microbiota intestinal, com uma comunidade extensa e variada de bactérias que, em princípio, devem estar em harmonia com a condição humana hígida e saudável. Porém, atualmente, com hábitos de vida e alimentares ocidentalizados, há um crescente desequilíbrio do microbioma e consequente correlação com condições patológicas em ascensão no mundo globalizado como obesidade, doenças psiquiátricas, reumáticas, endócrinas e neurológicas.

Observando estas interferências e correlações entre o eixo intestino-cérebro, um estudo de coorte realizado em humanos foi realizado. Diferente da maioria dos estudos passados, onde modelos animais eram analisados, este observou que a presença e superpopulação de cepas de Coprococcus and Dialister estavam diminuídas em pessoas diagnosticadas com depressão e que cepas alternativas como Faecalibacterium and Coprococcus estavam relacionadas com aumento da qualidade de vida global. Isso aconteceu provavelmente pela produção de butirato, um ácido graxo que auxilia na proteção da camada epitelial intestinal, diminuindo assim a propensão de desenvolver a síndrome do intestino permeável e suas consequências na saúde mental. 

Outras abordagens no tratamento com probióticos são testadas em humanos e alguns estudos já demonstraram melhora clínica em pacientes com transtornos do humor. Por exemplo, este estudo onde pacientes diagnosticados com depressão moderada melhoraram ao usar determinadas cepas de probióticos. Em outro ensaio, não foi observada melhora clínica em pacientes com ansiedade.

Estas diferenças entre tratamento e respostas clínicas com o uso de probióticos se dão, principalmente, devido a singularidade do nosso microbioma, que é mais complexo e singular que nossas impressões digitais, afirma a cientista Laura Steenberger. Portanto, diferentes respostas são observadas quando usa-se um mesmo padrão de cepas definidas para um estudo.

Por fim, deve-se pensar e observar as interações entre doenças que usualmente tratamos e a possibilidade delas estarem em conexão com a saúde intestinal. Há uma evolução progressiva e a visão da comunidade científica é otimista. Pois essa pode ser a chave central para a melhora clínica de condições que devastam a qualidade de vida de milhares de indivíduos atualmente.

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Um comentário

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    Altamiro Sathler Filho

    Excelente o artigo. Reflete os conhecimentos milenares da Medicina Tradicional Chinesa, que explica tais fatos atraves da fisiologia Meridianos Principais e Orgaos correlacionados.

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