Página Principal > Colunistas > Encefalopatia Hiponatrêmica: Abordagem em Bolus.
encefalopatia

Encefalopatia Hiponatrêmica: Abordagem em Bolus.

Tempo de leitura: 3 minutos.

A encefalopatia hiponatrêmica acontece quando o paciente desenvolve sintomas e sinais neurológicos devido a edema cerebral. Pode acontecer em pacientes com hiponatremia aguda ou crônica e deve ser manejada de imediato, como uma emergência, a fim de evitar a herniação cerebral.

A decisão de tratar com solução hipertônica (cloreto de sódio 3%) deve ser determinada pelos sintomas clínicos de edema cerebral, e não pela duração da hiponatremia.

Sinais e sintomas de edema cerebral

  • Sinais precoces: náusea, vômitos, cefaleia, ataxia, tremores (o que as vezes é difícil atribuir à hiponatremia, principalmente em pacientes internados na medicina interna ou UTI, com múltiplas comorbidades descompensadas).
  • Sinais tardios: se o edema cerebral continuar piorando, e a pressão intracraniana continua aumentado, o paciente desenvolve sinais avançados, de maior gravidade, como confusão mental, rebaixamento do sensório (sonolência, torpor e coma) e convulsões.

Se ainda continuar piorando e não corrigimos a hiponatremia, o paciente desenvolve hipoventilação levando a insuficiência respiratória hipercápnica (abrir os olhos se um paciente com hiponatremia apresentar retenção aguda de Co2 em uma gasometria feita por algum outro motivo, sem outra explicação), isto é sinal de comprometimento do tronco encefálico, com possibilidade de herniação e morte.

10 mitos sobre o cuidado neurointensivo

Abordagem em Bolus

O tratamento de escolha nos pacientes com encefalopatia hiponatremica é solução hipertônica em bolus intermitentes (100ml de cloreto de sódio 3%, ou 1-2ml/kg) independente da etiologia, incluindo pacientes com hiponatremia aguda ou crônica. Pode ser feito na emergência, na enfermaria ou na UTI.

Essa abordagem pode ser feita com segurança, tanto em pacientes com sinais precoces quanto tardios de encefalopatia, idealmente antes do aparecimento de sintomas catastróficos. O bolus pode ser repetido 1 ou 2 vezes se os sintomas persistirem, checando o sódio sérico a cada 1-2h.

A ideia é reverter o quadro de encefalopatia, não ultrapassando  4-5mEq em 1-2h, e posteriormente aumentar no máximo 15-20mEq/L em 48h conforme formulas e protocolos locais, simultaneamente com o manejo da patologia de base.

O tempo de evolução da hiponatremia não determina quem deverá ser tratado. Essa abordagem é segura, mesmo em pacientes com hiponatremia de mais de 48h de evolução (crônica).

Importante!

Um bolus aumenta, no máximo, 2mEq/L do sódio sérico, o que diminui rapidamente o edema cerebral. Na maioria dos casos, o paciente melhora com aumento de 4-5 mEq/L de sódio sérico e a não melhora sugere que o paciente não tem encefalopatia devido à hiponatremia.

A síndrome de desmielinização osmótica não parece estar relacionado  à velocidade de aumento do sódio sérico desde que o aumento total não ultrapasse 15-20 mEq/L em 48h.

Essa abordagem já foi adotada pela European Societies of Nephrology, Endocrinology and Critical Care, and Sport Medicines Societies.

Para mais conteúdos como esse, visite:

Autor:

Referência:

* Treatment of Hyponatremic Encephalopathy in the Critically Ill, Sociey of Critical Care Medicine, Crit Care Med 2017; XX:00–00, www.ccmjournal.org

* Rosen’s Emergency Medicine, Concepts and Clinical Practice, 9th

* UpToDate: Overview of the treatment of Hyponatremia in Adults.

É médico e também quer ser colunista da PEBMED? Clique aqui e inscreva-se!

Um comentário

  1. Excelente articulo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.