ENDO 2021: o que é a tireoidite atípica induzida por Covid-19?

Tempo de leitura: 3 min.

Neste fim de semana, está acontecendo o ENDO 2021, o principal encontro de pesquisa em endocrinologia e atendimento clínico em todo o mundo. Como poderíamos imaginar, a Covid-19 tem sido tema frequente nas discussões.

Hoje iremos compartilhar os melhores momentos da palestra que aborda a tireoidite atípica induzida pelo SARS-CoV-2, realizada pela médica Ilaria Muller da University of Milan.

Covid-19 X tireoide

Pacientes gravemente enfermos podem apresentar alterações nos testes de função tireoidiana, conhecidas como síndrome de doença não tireoidiana. Além disso, assim como em outras infecções virais, a infecção pelo SARS-CoV-2 pode resultar tireotoxicose, pela infecção direta do vírus na glândula tireoide.

A enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) é um receptor de entrada na célula hospedeira para SARS-CoV-2. A presença de alta expressão de ACE2 e das as proteases do hospedeiro, principalmente a serina protease transmembrana 2 (TMPRSS2), no tecido tireoidiano podem favorecer a entrada do vírus nas células.

Segundo a palestrante, a tireoidite atípica induzida por Covid-19 não está associada a dores no pescoço, afeta mais homens do que mulheres e especialmente aqueles gravemente doentes, portanto, coexiste com a síndrome de doença não tireoidiana.

A tireoidite subaguda é classicamente seguida por subsequente ocorrência de disfunção tireoidiana permanente e autoimunidade. Neste contexto, o grupo italiano propôs um programa de acompanhamento sistemático desses pacientes.

Tireoidite por Covid-19

A análise de dados preliminares de pacientes com Covid-19 que necessitaram de cuidados intensivos na Instituição estudada (Fondazione IRCCS Ca ‘Granda Ospedale Maggiore Policlinico, Milão, Itália) mostrou que esses indivíduos comumente tinham dosagem sérica de hormônio estimulante da tireoide (TSH) baixa ou suprimida, com e sem elevação concentrações de tiroxina livre, o que sugere tireotoxicose.

Durante sua explanação, a palestrante descreveu a ocorrência de tireotoxicose devido a tireoidite subaguda atípica em 15% dos pacientes hospitalizados por pneumonia Covid-19, em comparação com apenas 1% entre os pacientes hospitalizados nas mesmas enfermarias durante a primavera de 2019 (antes da pandemia de Covid-19). Todo o grupo de pacientes com Covid-19 também tinha concentrações de TSH sérico mediano significativamente mais baixas em comparação com o grupo de controle.

No estudo, foi realizado um acompanhamento longitudinal de pacientes sobreviventes de Covid-19 sem história prévia conhecida de distúrbios da tireoide e/ou medicamentos. Foram avaliados função tireoidiana sérica e autoanticorpos, proteína C reativa (PCR), hemograma completo (hemograma completo) e ultrassom da tireoide (US) a cada três meses.

Até o momento da apresentação, 53 pacientes foram incluídos no estudo de acompanhamento. Três meses após o Covid-19, todos os pacientes tinham uma função tireoidiana normalizada, no entanto achados de imagem sugestivos de tireoidite subaguda ainda estavam presentes em cerca de um terço dos casos.

A palestrante concluiu sugerindo que a disfunção tireoidiana induzida por Covid-19 parece não ser mediada por autoimunidade e ressaltou a importância de continuar a acompanhar esses pacientes, pois eles podem desenvolver disfunção da tireoide durante os meses seguintes.

Mensagem prática

  • Nos casos de Covid-19 deve-se atentar para a possibilidade de acometimento tireoidiano.
  • Os pacientes devem receber acompanhamento dos hormônios tireoidianos mesmo após a alta, pela possibilidade de desenvolver disfunção da tireoide durante os meses seguintes à infecção.

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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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