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Epidemiologia do trauma na prática do surf

Tempo de leitura: 2 min.

O surf é um esporte recreativo e competitivo popular com mais de 37 milhões de surfistas em todo o mundo. Apesar da popularidade do esporte, a literatura médica abordando as lesões traumáticas associadas à prática do surf é escassa. Os dados disponíveis são limitados a pequenos estudos de coorte ou registros de prestação de cuidados realizados por salva-vidas.

Leia também: Lesōes de ponta de dedo cicatrizam bem por segunda intenção?

Um recente estudo foi publicado relatando a epidemiologia das lesões no surf através de uma análise retrospectiva dos registros de atendimento de um serviço de emergência de um hospital de nível terciário na Austrália em um período de dez anos. O objetivo deste relato é quantificar as lesões do surfe e investigar em especial as características envolvendo os traumas ortopédicos.

A Austrália é uma das maiores nações do surfe, com mais de 10% da população participando, portanto, os registros locais são muito relevantes. Uma avaliação clínica retrospectiva incluindo dados do Departamento de Emergência do Hospital Público de Gold Coast durante um período de dez anos foi realizada usando os bancos de dados eletrônicos do hospital. A análise dos dados foi realizada para investigar a demografia dos pacientes e as características das lesões apresentadas.

Dados do estudo

Foram analisados 2.680 episódios de lesões relacionadas ao surf. A idade mediana dos pacientes foi de 30 anos (intervalo 2-77), com 455 mulheres (17%) e 2.225 homens (83%). As lacerações foram as lesões mais comuns (37,9%), seguida de lesões ligamentares (21,3%), fraturas (12,2%) e contusões (11,4%).

As áreas mais comuns de lacerações foram a cabeça e a face (59,2%), os membros inferiores (30%) e os membros superiores (26,5%). A Luxações corresponderam a 4,9% dos traumas, sendo a luxação do ombro (76,5%) e a luxação da patela (12,1%) as mais comuns. Dentre as fraturas o acometimento do antebraço ou metacarpos foi o padrão mais frequente (27%) encontrado, seguido pela região distal da tíbia, tornozelo e pé (24%) e face (22%). Um total de 1.512 atendimentos (56,4%) exigiram tratamento ortopédico. A maioria dos atendimentos não envolveu a necessidade de internação, e os pacientes receberam alta da emergência após a avaliação médica (93,5% )

Mensagem final

Mais da metade (56,4%) das lesões do surfe foram de natureza ortopédica o que requer aconselhamento ou gestão ortopédica. Lacerações, lesões ligamentares, fraturas e luxações foram as mais comuns lesões apresentadas. Isso enfatiza a importância de entender a prevalência e as características das lesões de surf para um serviço ortopédico.

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Publicado por
Rafael Erthal

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