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Epilepsia de lobo temporal: aspectos importantes para a prática clínica

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As epilepsias são responsáveis por uma grande parcela dos atendimentos neurológicos. Dentre as causas focais, as epilepsias de lobo temporal (ELT) são as mais prevalentes, com estimativa de 60%. Com isso, o seu reconhecimento é de suma importância para realizar o diagnóstico e tratamento e, por consequência, diminuir o grande impacto gerado na qualidade de vida destes pacientes.

Algumas características são de grande valia que auxiliam no seu reconhecimento e na sua condução. São elas:

  • Surgimento no final da primeira década e início da 2ª década: Os adolescentes e os adultos jovens são os mais acometidos desta epilepsia, e, portanto, há um impacto psicológico, social e econômico intenso em suas vidas.
  • Dentre as causas principais da epilepsia de lobo temporal, destacam-se as seguintes: genética, mal-formação congênita, anóxia peri-parto, traumatismos cranianos, hemorragia intra-craniana, injúria vascular isquêmica, má formação artério-venosa, hemangioma cavernoso, glioses e malácias secundárias a injúrias diversas, tumores, infecções (encefalites e meningites) e esclerose hipocampal.
  • As crises epilépticas de lobo temporal possuem características quanto à aura e às crises. As auras tendem a ser sensitivo-sensoriais em até 90% dos casos, havendo descrição de alterações psíquicas, alucinações auditivas, dé-jàvu, jamais-vu, sensação de medo, desconforto gástrico, alterações gustativas, olfatórias (muito relatado), visuais e somestésica dentre as principais, dependendo da região acometida. As crises podem durar um total de 60 a 90 segundos.
  • Vale ressaltar que a ELT pode ser classificada em Epilepsia Temporal Mesial (ETM) ou Epilepsia Temporal Lateral (ETL), tendo cada uma as suas peculiaridades.
  • A ETM é a mais prevalente, correspondendo a 80% das ELT. A ocorrência de crises febris prolongadas nos primeiros anos de vida, o que se torna seu fator de risco mais importante, estando associado a esclerose do hipocampo, a sua principal causa. Esta pode ser unilateral ou bilateral, tendo o paciente um ou dois focos independentes que podem acarretar as crises. O acometimento do hemisfério dominante do paciente está relacionando com crises disperceptivas e seu pós-ictal com desorientação. As crises acometendo o hemisfério não dominante podem ser apresentadas na forma de vômitos, de urgência urinária e de atos de cuspir, além do pós ictal sem alterações marcantes. Importante mencionar que essas crises epilépticas raramente generalizam.
  • Já a ETL, devido ao seu vasto território, está relacionada a diversas causas, e em razão das múltiplas conexões locais acometidas, tende a gerar crises motoras e a generalizar com facilidade.
  • A fenomenologia, ou seja, a semiologia das crises, pode ter características peculiares que ajudam na sua investigação. Na ETM, o paciente pode apresentar movimentos oro-faciais, automatismos manuais, além de postura distônica de membro contralateral durante o evento epiléptico
  • Quanto ao tratamento, é importante avaliar a refratariedade ao tratamento farmacológico, algo típico da história da ETM.
  • Na Epilepsia de Lobo Temporal, particularmente a Epilepsia Temporal Mesial pode ter um grande benefício do tratamento cirúrgico, a amigdalo-hipocampectomia transtemporal, do qual pode reduzir cerca de 80% das crises epilépticas, e, em alguns casos, pode alcançar 99,9% de redução.
  • Por fim, ressalta-se que, mesmo após a cirurgia ter sido um sucesso e o paciente não tenha apresentado crises, não está indicada a retirada dos medicamentos anti-epilépticos ou sua redução, por pelo menos um período de 2 anos a partir do tratamento cirúrgico.

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