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Epilepsia: quais são os efeitos adversos dos anticonvulsivantes? [Purple Day]

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Em meio a tantas opções de anticonvulsivantes, uma dificuldade pode se impor ao tratamento da epilepsia, os efeitos colaterais. Infelizmente não são poucos os pacientes que se queixam dos efeitos adversos. Dentre esses, os sintomas neuropsiquiátricos – tais como fadiga, tonteira, irritabilidade – são os mais prevalentes. Outros não tão frequentes por vezes passam despercebidos, é o caso da náusea e dos vômitos. Para cada medicação há um espectro de colaterais e cuidados específicos. Alguns desses listaremos brevemente a seguir.

epilepsia

Fenitoína

Muitos efeitos não têm sua incidência estudada, mas podemos citar a Síndrome da Luva Púrpura e o risco de hepatotoxicidade. Não requer correção de dose em adultos com doença renal crônica nem Insuficiência Hepática. Idosos podem necessitar de doses menores ou menos frequentes, enquanto pacientes com DRC podem precisar de doses maiores. Nota-se ainda que é uma droga teratogênica, transmitida pelo leite materno, com risco de intoxicação.

Carbamazepina

Efeitos principais são tonteira, sonolência, ataxia, náuseas e vômitos. Deve ter sua dose corrigida em adultos com doença renal crônica não dialítica que tenham ClCr<10%. Apesar de metabolizada no fígado, não requer ajuste para insuficiência hepática. Além disso, é medicamento de alto risco para idosos segundo o Critério Beers, devido ao risco de SIADH e hiponatremia. Também teratogênica e passada pelo leite materno.

Ácido valproico

Cefaleia, tonteira, sonolência, alopécia, náuseas, vômitos estão dentro de uma enorme lista de reações adversas. Não requer correção de dose em adultos com doença renal crônica nem insuficiência hepática. Em ambas as condições pode ser necessário monitorizar o nível sérico livre. Idosos podem utilizar, enquanto lactantes devem evitar, exceto se a dose passada pelo leite for < 10% da total.Também é considerada uma droga teratogênica.

Lamotrigina

Náuseas são seu principal efeito colateral. Pode requerer dosagem menor pra adultos com DRC. Caso haja Insuficiência Hepática moderada a grave sem ascite, reduzir 25% da dose; se houver ascite, 50%. Uso geriátrico é adequado, já em gestantes e lactantes deve ser monitorado pelo risco de teratogenicidade e devido à transmissão ao bebê por meio do leite.

Qual anticonvulsivante escolher?

Não é nossa intenção contemplar a longa lista de opções terapêuticas, mas enfatizar o cuidado quando à escolha individual do tratamento, seja uma monoterapia ou politerapia. Tal escolha deve ser feita com cautela e crítica, pautando riscos e benefícios para cada tipo de paciente. Uma vez individualizado e monitorado, a chance do tratamento ser eficaz e ter maior adesão aumenta. Não existe fórmula mágica, apenas raciocínio clínico. Nos próximos artigos vamos detalhar mais sobre a doença e o tratamento em populações especiais, tais como idosos e gestantes. Não perca.

Este artigo faz parte da série Purple Day, sobre o dia mundial de combate à epilepsia.

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Autor:

Referências:

1) THIJS, RD.; SURGES, R.; O’BRIEN, TJ.; SANDER, JW. Epilepsy in adults. Published Online
January 24, 2019 (http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(18)32596-0.

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