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Equipe médica analisa os dados de estudo sobre o uso de ácido tranexâmico no tratamento de sangramentos nasais.

Epistaxe: manejo com ácido tranexâmico é eficaz?

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Sangramentos nasais são comuns ao longo de todo ano e aumentam sua frequência durante as estações mais secas, podendo representar 1 a cada 200 atendimentos em unidades de pronto atendimento nos Estados Unidos.

Embora frequentemente associada à gravidade, por conta do aspecto de exteriorização da epistaxe, nem sempre o quanto o sintoma assusta é proporcional a sua gravidade clínica, o que gera grande ansiedade nos profissionais e também entre os pacientes. Dessa forma, conhecer as melhores ferramentas de controle do sintoma é um grande aliado nas situações cotidianas em que esse tratamento se faz necessário.

Sangramentos nasais

O manejo da epistaxe tradicionalmente implica em cuidados clínicos básicos pela grande prevalência de causas autolimitadas do sintoma. Contudo, tamponamentos e hemostáticos podem ser adotados como cuidado para controle, ainda que possam ser procedimentos desconfortáveis e dolorosos além de frequentemente necessitarem de reabordagem por ressangramento. Por isso, pesquisadores da biblioteca Cochrane revisaram a literatura em busca de evidências para um tratamento clínico, que pudesse evitar o desconforto associado às intervenções tradicionais, consistente no uso do ácido tranexâmico (ATX).

Características do estudo

O estudo avaliou seis ensaios clínicos duplo cegos randomizados placebo controlados, investigando as diferenças entre dois grupos: cuidados tradicionais associados ao ATX e o outro grupo com cuidados tradicionais associados ao placebo. O resultado total contou com 692 pacientes. O desfecho primário avaliado foi a proporção de pacientes com ressangramento dentro dos primeiros 10 dias de seguimento e o desfecho secundário foi qualquer outro efeito adverso clinicamente relevante (ex. cefaleia, tontura, eventos tromboembólicos, entre outros).

Achados

Os autores encontraram que em relação ao desfecho primário o ATX esteve associado a menores índices de sangramento nos primeiros 10 dias após intervenção, de modo que a cada cinco pacientes tratados um apresentou melhora em relação ao risco de sangramento. Os estudos incluídos eram semelhantes em si, não havendo diferenças significativas entre os grupos em relação aos eventos adversos. Além disso, informações de eventos adversos futuros, como necessidade de embolização, não foram avaliados nesses ensaios clínicos incluídos.

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Notas importantes

Os achados devem ser compreendidos dentro das limitações do estudo. A heterogeneidade entre os trabalhos incluídos é bastante expressiva. Os autores não diferenciaram vias de administração, dose ou tempo de uso do ATX, por exemplo. Além disso, apenas 3 estudos avaliaram especificamente o desfecho primário, enquanto na literatura de modo geral, muitos estudos avaliam desfechos individuais diferentes (como o controle do sangramento nos primeiros 30 minutos, por exemplo).

Leia também: Saiba como manejar o paciente com obstrução nasal

Outro ponto de divergência relevante é o fato de que nem todos os estudos avaliaram o tipo de sangramento, volume ou localização (como epistaxe anterior, por exemplo). Nessa mesma direção, outra fonte potencial de viés é o fato de que muitos pacientes nos estudos incluídos estarem em uso de alguma modalidade de terapia antiagregante ou anticoagulante, o que pode ter interferido em muito nos resultados, sendo necessários estudos futuros que possam avaliar esses subgrupos e sua consistência.

Conclusão

A mensagem a ser levada a partir desses resultados é: o ATX possui evidências que suportem seu uso como medida terapêutica para controle de epistaxe evitando ressangramento em 10 dias. Com um número necessário para tratar (NNT) de 5, muito pacientes se beneficiam da intervenção para o desfecho avaliado, sem que tenha sido documentado nenhum dano associado ao uso do medicamento. Portanto, o uso da medicação é recomendado quando se avalia os riscos e benefícios. Para entender como administrar o ATX, basta acessar o guia de prescrições do Whitebook.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Joseph J, Martinez-Devesa P, Bellorini J, Burton MJ. Tranexamic acid for patients with nasal haemorrhage (epistaxis). Cochrane Database Syst Rev. 2018;12:CD004328.
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  • Villwock JA, Jones K. Recent trends in epistaxis management in the United States: 2008–2010. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2013;139:1279-84.
  • White A, O’Reilly BF. Oral tranexamic acid in the management of epistaxis. Clin Otolaryngol Allied Sci. 1988;13:11-6.
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