ESC 2019: o que há de novo sobre a taquicardia supraventricular

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No início deste mês foi publicada a nova diretriz da European Society of Cardiology (ESC) sobre taquicardia supraventricular (TSV), um importante documento atualizando várias condutas nesse tópico tão presente no nosso cotidiano médico. Falaremos neste artigo sobre as mensagens mais importantes para a abordagem.

Abordagem da taquicardia supraventricular

  • Manobras vagais e adenosina continuam sendo os tratamentos de escolha para a terapia aguda da TSV, e também podem fornecer informações diagnósticas importantes. Lembrar que a adenosina pode ser utilizada mesmo para taquicardia com QRS largo em pacientes estáveis;
  • Verapamil não é recomendado em TSV com QRS largo de etiologia desconhecida. Essa droga é inotrópica negativa e pode induzir ou piorar um choque cardiogênico;
  • Considere o uso de ivabradina junto com um betabloqueador. Uma boa indicação dessa associação é em pacientes com taquicardia sinusal inapropriada;
  • Em todas as arritmias reentrantes, como, por exemplo, TSV por possível reentrada nodal ou reentrada AV (síndrome de Wolf-Parkinson-White), a ablação por cateter deve ser oferecida como uma primeira escolha para os pacientes depois de explicar em detalhes os riscos e benefícios. Inclusive, taquicardia por reentrada nodal, típica ou atípica, pode ser eliminada com quase nenhum risco de bloqueio AV;
  • Não use sotalol em pacientes com TSV pois a taxa de reversão é baixa. Não use propafenona em pacientes com BRE, ou doença cardíaca isquêmica ou estrutural, pois há risco de indução de arritmias mais graves. Não use amiodarona em fibrilação pré-excitada, pois exerce mais efeito no nó AV do que na via acessória, facilitando a condução do impulso pela via;
  • Um em cada cinco pacientes com pré-excitação assintomática desenvolverá uma arritmia relacionada à via acessória durante a vida. O risco de parada cardíaca por fibrilação ventricular em um paciente com pré-excitação assintomática é de ± 2,4 por 1.000 pessoas/ano. Por isso, a vantagem de se tentar a cura por meio da ablação;
  • A triagem não invasiva pode ser usada para estratificação de risco de pacientes com pré-excitação assintomática, mas sua capacidade preditiva permanece modesta. A avaliação invasiva com estudo eletrofisiológico (EEF) é recomendada, sobretudo, em pacientes com pré-excitação assintomática que tenham ocupações de alto risco ou sejam atletas competitivos. A ablação deve ser realizada no mesmo ato em todos os pacientes de alto risco pelo EEF;
  • Se possível, evite todos os medicamentos antiarrítmicos durante o primeiro trimestre da gravidez. Se forem necessários betabloqueadores, use apenas agentes seletivos beta-1 (mas não atenolol). Se a ablação for necessária durante a gravidez, use mapeamento não fluoroscópico;
  • Considere investigar taquicardiomiopatia em pacientes com disfunção de VE e TSV recorrente. A ablação é o tratamento de escolha para esses casos.

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Essas foram as principais recomendações desse documento, que devem também ser incorporadas em nosso meio, já que traduzem as principais evidências atuais nessa área.

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Referências bibliográficas: 

  • Brugada J, Katritsis DG, Arbelo E et al. ESC Scientific Document Group, 2019 ESC Guidelines for the management of patients with supraventricular tachycardia. The Task Force for the management of patients with supraventricular tachycardia of the European Society of Cardiology (ESC): Developed in collaboration with the Association for European Paediatric and Congenital Cardiology (AEPC), European Heart Journal. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz467