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Esclerose múltipla: como diagnosticar corretamente a doença?

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Existem diversos trabalhos relacionados ao diagnóstico diferencial de esclerose múltipla na literatura médica, esta matéria se baseará em dois artigos de leitura obrigatória para todo médico.

A prevalência de esclerose múltipla (EM) está aumentando, provavelmente devido a uma maior conscientização tanto pelas comunidades médicas como não-médicas. Os pacientes são auto-admitidos ou encaminhados para o neurologista devido a sintomas e sinais clínicos ou achados de ressonância nuclear magnética (RNM) encefálica e/ou espinal sugestivos de “EM”, ou ambos. O crescimento de diagnósticos presumidos de EM, por sua vez, resulta no aumento de casos diagnosticados erroneamente.

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O problema do diagnóstico incorreto e dificuldades no diagnóstico da EM foram relatados antes da introdução ou uso disseminado de ferramentas de diagnóstico, como imagens, potenciais evocados e estudos do líquor, o que certamente é compreensível.

No entanto, parece que as ferramentas mais avançadas que temos hoje não mudaram muito este problema. De fato, nos últimos anos, vários enfatizaram ainda que um número significativo desses indivíduos que, de fato, não possuíam EM, eram mesmo assim submetidos a tratamentos de longo prazo para a EM.

Atualmente, a causa mais comum de diagnóstico errôneo de EM parece ser anormalidades não específicas da substância branca na RNM encefálica, má interpretação e má aplicação dos critérios diagnósticos radiográficos, bem como a presença de sintomas neurológicos vagos ou inespecíficos. De fato, foi demonstrado que em até um terço das pessoas “normais” com idade entre 20 e 45 anos, sintomas neurológicos transitórios podem não ter nenhum significado clínico. Também não é incomum ver pessoas com tontura, dormência e sintomas sensoriais semelhantes, sem qualquer doença subjacente na prática médica.

Quando pessoas com tais sintomas presentes e por coincidência acabam tendo algumas “manchas brancas” não específicas em sua RNM, elas podem facilmente ser erroneamente diagnosticadas como portadoras de EM pelo médico inexperiente.

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Muitas vezes, o diagnóstico final acabará sendo hipocondria, um transtorno somatoforme como ansiedade, depressão ou psicossomático. No entanto, se o clínico não se concentrar bem na história e no exame desses pacientes nos quais a RM mostra algumas manchas brancas inespecíficas, o problema psiquiátrico pode ser perdido e o paciente pode ser diagnosticado erroneamente como portador de EM. Uma história bem-sucedida revelará que os sintomas baseados em psiquiatria (somáticos) não podem ser facilmente localizados e não são consistentes com os sítios neuroanatômicos conhecidos; eles são múltiplos, mostram variações e flutuações, mas estão sempre lá! Portanto, seus sintomas não serão consistentes com a definição clássica de EM baseada em ataques disseminados no tempo e no espaço.

Outra grande questão no diagnóstico diferencial da EM é um grande número de outros distúrbios que podem mimetizá-la, como as chamadas doenças inflamatórias-desmielinizantes atípicas do sistema nervoso central (SNC) que incluem os distúrbios do espectro da neuromielite óptica (NMOSD), encefalomielite disseminada aguda (ADEM), e algumas outras doenças raras dentro deste grupo, vários distúrbios hereditários que se iniciam na adolescência ou idade adulta, bem como alguns distúrbios infecciosos, neoplásicos ou vasculares que afetam principalmente população adulta jovem. Esses distúrbios e seu diagnóstico diferencial da EM foram revisados ​​em detalhes em várias publicações.

Vale pena conferir a matéria que o Dr. Henrique Cal fez no ano passado sobre os novos critérios diagnósticos, Novos Critérios de Esclerose Múltipla.

Confira mais dicas nas imagens abaixo que pode ajudar no diagnóstico de EM:

Mesmo com todas essas características a serem analisadas o diagnóstico não é simples. Vale ressaltar o que foi dito no início, um chavão na medicina, porém bem verdadeiro: “A Clínica é soberana”, inclui-se na clínica é claro, uma boa anamnese.

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Autor:

Referências:

  • Siva A. Common clinical and imaging conditions misdiagnosed as multiple sclerosis: A Current Approach to the Differential Diagnosis of Multiple Sclerosis. Neurol Clin. 2018;36(1):69–117.
  • THOMPSON, Alan J. et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. The Lancet Neurology, v. 17, n.2 : p.162–73, 2018.
  • Toledano, M., Weinshenker, B.G., Solomon, A.J. A clinical approach to the differential diagnosis of multiple sclerosis. Curr Neurol Neurosci Rep. 2015;15:57.
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Publicado por
João Marcos Campos Ferreira

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