Esclerose múltipla: critérios de ressonância magnética para seu diagnóstico

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A chave para o tratamento precoce da Esclerose Múltipla (EM) reside em um diagnóstico preciso nas fases iniciais, preferencialmente após sua primeira manifestação. No momento atual, uma oportunidade parece residir nos avanços tecnológicos na área de imagem por Ressonância Magnética (RM). Nesse contexto, foi realizada em 2016 uma revisão dos critérios de RM para o diagnóstico de EM. Baseados em evidências, os especialistas propuseram os critérios MAGNIMS 2016¹ apresentados na tabela a seguir:

Tabela 1 – Critérios de MAGNIMS 2016

Disseminação no espaço: acometimento de, pelo menos, 2 de 5 áreas:

  • Três ou mais lesões periventriculares

  • Uma ou lesões infratentorial

  • Uma ou mais lesões na medula espinhal

  • Uma ou mais lesões no nervo óptico

  • Uma ou mais lesões cortical ou justacortical

Para o acometimento de tronco, medula espinhal ou nervo óptico, as lesões sintomáticas não são excluídas do critério e contribuem para a contagem do número de lesões.

Disseminação no tempo:

  • Pelo menos uma lesão nova em T2 ou com realce pelo gadolíneo em RM de seguimento, em comparação com um exame basal, independente do momento em que o exame basal foi feito.

ou

  • Presença simultânea de lesões realçadas e não realçadas pelo gadolíneo em qualquer momento.

Um artigo publicado em fevereiro de 2018 na revista The Lancet apresenta os resultados de um estudo europeu, multicêntrico e retrospectivo, que utilizou os critérios de MAGNIMS 2016 em 368 pacientes com síndrome clínica isolada (SCI)².

De aplicação mais simples, os critérios de MAGNIMS 2016 têm como principais diferenças em relação aos de McDonald 2010³ (referência para o diagnóstico de EM na ocasião do estudo):

  • Não faz distinção entre lesões sintomáticas e assintomáticas;
  • Aumenta o número necessário de lesões para o estabelecimento do envolvimento periventricular, de 1 para 3;
  • Combina lesões corticais e justacorticais e expande o conceito de envolvimento justacortical;
  • Inclui o nervo óptico com uma localização adicional para a definição de síndrome clínica isolada (SCI).

Os autores observaram desempenho semelhante dos critérios de MAGNIMS 2016 e McDonald 2010 em termos de: sensibilidade, especificidade, acurácia e análise de probabilidade de sobrevivência.

É necessário ter atenção ao fato de que os critérios de MAGNIMS 2016 não representam per si uma mudança nos critérios para o diagnóstico da EM.

Acerca desse assunto, outro artigo presente no mesmo exemplar da The Lancet apresentou uma revisão dos critérios de McDonald 2010 – não apenas centrado nos aspectos relativos à imagem por RM como no MAGNIMS 2016 – e define os critérios de McDonald 2017 para o diagnóstico da EM4. O assunto foi tratado em texto do Dr. Henrique Cal publicado no nosso Portal em final de outubro de 2017. A tabela 2 traz uma tradução livre dos critérios de McDonald 2017.

Tabela 2 – Critérios de McDonald 2017

Número de surtos

Número de lesões com evidência clínica objetiva

Dados adicionais necessários para o diagnóstico de EM

2 ou mais surtos 2 ou mais Nenhum
2 ou mais surtos 1 (desde que haja evidências claras de um surto anterior envolvendo uma lesão em uma localização anatômica distinta) Nenhum
2 ou mais surtos 1 Disseminação no espaço demonstrada por:

  • um surto novo numa localização diferente

ou

  • RM
1 surto 2 ou mais Disseminação no tempo demonstrada por:

  • um novo surto

ou

  • RM

OU

Presença de bandas oligoclonais no líquor (em substituição à disseminação temporal)

1 surto 1 Disseminação no espaço demonstrada por:

  • um novo surto numa localização diferente

ou

  • RM

E

Disseminação no tempo demonstrada por:

  • um novo surto

ou

  • RM

OU

Presença de bandas oligoclonais no líquor (em substituição à disseminação temporal)

Os critérios de McDonald 2017, no que concerne à RM, já incorporam algumas das sugestões de MAGNIMS 2016: não há distinção entre lesões sintomáticas e assintomáticas, e a possível combinação de lesões corticais e justacorticais. No entanto, não incluem lesões no nervo óptico por RM e mantém como um (1) o número mínimo de lesões periventriculares.

Novos estudos trarão mais resultados para que possamos, de fato, concluir sobre os benefícios de tais modificações.

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Autora:

Referências:

  1. FILIPPI, Massimo et al. MRI criteria for the diagnosis of multiple sclerosis: MAGNIMS consensus guidelines. The Lancet Neurology, v. 15, n. 3, p. 292-303, 2016.
  2. FILIPPI, Massimo et al. Prediction of a multiple sclerosis diagnosis in patients with clinically isolated syndrome using the 2016 MAGNIMS and 2010 McDonald criteria: a retrospective study. The Lancet Neurology, v. 17, n. 2, p.133-142, 2018.
  3. POLMAN, Chris H. et al. Diagnostic criteria for multiple sclerosis: 2010 revisions to the McDonald criteria. Annals of neurology, v. 69, n. 2, p. 292-302, 2011.
  4. THOMPSON, Alan J. et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. The Lancet Neurology, v. 17, n.2 : p.162–73, 2018.
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Um comentário

  1. muito elucidativo de de leitura fácil. Parabéns a autora pela excelente revisão.

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