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Esclerose múltipla e gravidez

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A esclerose múltipla (EM) é uma doença desmielinizante, imunomediada do sistema nervoso central (SNC), tipicamente caracterizada pela presença de surtos (sintomas neurológicos mantidos no mínimo por 24 horas, na ausência de febre e/ou infecção) e remissões. Afeta mais mulheres do que homens em uma proporção de aproximadamente 2:1; a idade média de início é de aproximadamente 30-40 anos. Não há diretrizes para recomendar a favor ou contra a gravidez em mulheres com EM. A forma de evolução de cada paciente e os déficits neurológicos devem ser considerados independentemente.

Durante um surto de EM, os pacientes geralmente se queixam de déficit neurológico progressivo que se desenvolve ao longo de vários dias. Os sintomas comuns de uma exacerbação incluem: neurite óptica, parestesias, paresias, ataxia, entre outros. Os sintomas variam, pois dependem da localização da desmielinização no SNC.

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Esclerose múltipla e gravidez

Estudo recente

Embora haja discordâncias quanto ao efeito da gravidez na EM, uma metanálise de 13 estudos com 1.221 gestações publicada em 2011 concluiu que a ela está associada a uma diminuição na atividade da doença, enquanto o período pós-parto está associado a um aumento. Os melhores dados de relatórios individuais vêm do estudo prospectivo de Gravidez na Esclerose Múltipla (PRIMS).

No primeiro relatório do estudo PRIMS, 254 mulheres com EM foram acompanhadas durante 269 gestações e 12 meses após o parto. As taxas médias de surto antes da gravidez, no primeiro (trimestre), segundo (trimestre), terceiro (trimestre) e nos primeiros três meses pós-parto foram 0,7, 0,5, 0,6, 0,2 e 1,2 por mulher por ano. Não houve piora na incapacidade ou progressão da doença no pós-parto. No segundo relatório avaliaram 277 gestantes, o surto nos primeiros três meses pós o parto foi mais provável em mulheres com uma taxa elevada de surto no ano pré-gestacional ou durante a gravidez.

Em um estudo caso-controle observacional de 893 gravidezes em 674 mulheres com EM, um risco aumentado de surto nos primeiros três meses do período pós-parto foi associado a uma taxa de surto/ano mais alta nos dois anos anteriores à concepção (OR: 14,1, IC 95% 9,1-21,9), enquanto um menor risco de surto pós-parto foi associado ao uso de terapia modificadora da doença nos dois anos anteriores à concepção (OR 0,55, IC 95% 0,36-0,84).

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Estresse, exaustão, infecção e a perda de imunossupressão pré-natal podem contribuir pelo aumento da taxa de surto durante os primeiros três meses do período pós-parto.

Em relação a reprodução assistida, que inclui fertilização in vitro e outras técnicas semelhantes, embora não haja dados definitivos, parece aumentar o risco de atividade da doença.

A gravidez não parece influenciar na gravidade do surto, e as evidências disponíveis sugerem que ela não aumenta o risco de desenvolver a doença.

As evidências sobre o efeito da EM na gravidez não são totalmente consistentes, mas os dados disponíveis sugerem que a EM está associada a um aumento da taxa de complicações na gestação e no periparto em comparação com mulheres sem a doença.

Mensagem final

Importante ressaltar que o acompanhamento com o especialista é fundamental. Atualmente é possível controlar com sucesso a atividade da doença na maioria das mulheres com EM durante e após a gravidez. Minimizando os danos ao feto, promovendo a amamentação e evitando à exposição a determinadas drogas teratogênicas. Isso se tornou possível, diante das numerosas opções de tratamento. O momento ideal para retornar às terapias modificadoras de doença no pós-parto e a melhor forma de evitar surtos graves durante a gravidez e no pós-parto ainda é indeterminado, principalmente em mulheres que engravidam sem planejar durante terapia com natalizumabe ou fingolimod. Com certeza, mais pesquisas são necessárias para responder muitas dúvidas neste tema.

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Referências bibliográficas:

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