Esclerose Múltipla (EM): o quanto avançamos nos últimos anos

Esclerose Múltipla (EM) é a doença desmielinizante inflamatória imunomediada mais comum do sistema nervoso central.

Estima-se que 40 mil brasileiros são pessoas com Esclerose Múltipla (EM). A data comemorativa de 30 de agosto, instituída pela Lei nº 11.303/2.006, tem como objetivos dar maior visibilidade à doença, informar a todos da importância do diagnóstico e tratamento precoce. Dia importante para refletir e discutir essa condição visando um melhor cuidado aos nossos pacientes.

Há alguns anos, havia poucas terapias e elas não ofereciam muita esperança aos pacientes. Hoje, os médicos mal conseguem acompanhar o progresso que está sendo feito: manter-se atualizado torna-se um desafio. Parece que os estudos envolvendo pacientes com EM evolui mais rápido do que a própria doença — e quem ganha, felizmente, são os pacientes. Nos últimos 20 anos, mudanças importantes aconteceram, principalmente no que diz respeito ao seu diagnóstico e tratamento.

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Se analisarmos friamente, parece haver apenas um tópico que não progrediu na forma como a doença neurológica é tratada, ensinada e diagnosticada: a etiologia da EM. É frustrante que ainda não esteja claro o que exatamente desencadeia a doença.

Sabemos que a EM é um distúrbio heterogêneo com características clínicas e patológicas variáveis, refletindo diferentes vias de lesão tecidual. Inflamação, desmielinização e degeneração axonal são os principais mecanismos patológicos que causam as manifestações clínicas. No entanto, a causa da EM realmente permanece desconhecida até os dias atuais. A teoria mais amplamente aceita é que ela começa como um distúrbio inflamatório imunomediado, caracterizado por linfócitos autorreativos. Mais tarde, a doença é dominada pela ativação microglial e neurodegeneração crônica.

(EM) o quanto avançamos nos últimos anos

Diagnóstico da EM e os critérios de McDonald

Apesar da evolução dos métodos de imagem, o diagnóstico é clínico. A ressonância magnética (RM) é o exame de escolha para apoiar o diagnóstico clínico da EM.

Sem dúvidas, a RM, que se tornou amplamente utilizada nas décadas de 1990 e 2000, mudou drasticamente o curso do tratamento e diagnóstico da EM. Poucos campos se beneficiaram tanto na prática clínica e na pesquisa da RM quanto a EM. Essa mudança permitiu estudar o sistema nervoso de uma forma mais completa, o que era possível apenas nos cérebros dos pacientes na autópsia.

Importante lembrar que os critérios diagnósticos formais adotados pelo professor McDonald, em 2001, incorporaram esse método de imagem. Tais critérios foram revisitados em 2017. A aplicação adequada dos critérios de McDonald permite um diagnóstico mais precoce e ajuda a evitar erros de diagnóstico, que aconteciam com mais frequência há 20 anos.

Os critérios de McDonald (2017) aplicam-se principalmente a pacientes que têm uma síndrome clínica isolada típica, que sugere o início de EM recorrente-remitente. Eles também podem ser aplicados a pacientes que apresentam progressão neurológica insidiosa sugestiva de EM progressiva primária. Embora útil quando o diagnóstico é clinicamente suspeito, não se utiliza na distinção da EM de outras condições neurológicas.

Para diagnosticar com segurança a EM, não pode haver uma explicação melhor para a apresentação clínica, e deve haver evidência clínica objetiva para confirmar a presença de lesões do sistema nervoso central correspondentes ao ataque atual ou prévio.

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Opções para tratamento da EM

As mudanças nas opções de tratamento nos últimos 20 anos foram dramáticas. O interferon-beta tornou-se disponível em meados dos anos 1990 e foi a primeira terapia modificadora da doença que reduziu as taxas de ataque e postergou o início da incapacidade. Hoje, existem mais de 20 terapias disponíveis em diferentes formas.

Embora originalmente a pesquisa da EM se concentrasse nas células T, agora o foco está mais nos anticorpos monoclonais que têm como alvo as células B.

Todas essas novas terapias mudaram o jogo para os pacientes, e os objetivos primários do tratamento com as drogas modificadoras da doença (DMT) são prevenir recaídas de EM (ataques), reduzir o acúmulo de comprometimento neurológico e incapacidade ao longo do tempo e reduzir a inflamação e lesão cerebral. Dados da literatura sugerem que os DMTs reduzem a progressão da incapacidade em pacientes adultos e pediátricos com EMRR, pelo menos em curto prazo (por exemplo, dois a três anos).

Mensagem final

Os avanços foram enormes nos últimos anos e promissores para os próximos. É preciso conscientizar, educar e torná-la mais conhecida, diagnósticos e tratamentos precoces adequados geram impactos importantes na qualidade de vida dos nossos pacientes.

 

Referências bibliográficas:

  • ABEM. Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. Disponível em: https://www.abem.org.br/
  • Brasil. LEI Nº 11.303, DE 11 DE MAIO DE 2006. Institui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/L11303.htm
  • Thompson AJ, Banwell BL, Barkhof F, et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. Lancet Neurol. 2018; 17:162.
  • Brownlee WJ, Hardy TA, Fazekas F, Miller DH. Diagnosis of multiple sclerosis: progress and challenges. Lancet. 2017;389:1336.
  • Gaitán MI, Correale J. Multiple Sclerosis Misdiagnosis: A Persistent Problem to Solve. Front Neurol. 2019;10:466.

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  • ABEM. Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. Disponível em: https://www.abem.org.br/
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