Escore mSIS para câncer gástrico pode ser útil? - PEBMED

Escore mSIS para câncer gástrico pode ser útil?

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Em diversas situações somos surpreendidos com um dilema na medicina onde o tratamento ideal a um determinado paciente pode não ser suportado pelo mesmo. Isto é ainda mais crítico em condições cujo tratamento é eminentemente cirúrgico como no caso dos câncer gástrico.

Atualmente os dois modelos mais utilizados para uma avaliação pré-operatória são o Performance Status (PS) e a Classificação da Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA). São modelos com grande aplicabilidade clínica, porém por serem genéricos e aplicados em praticamente qualquer situação, as particulares não são avaliadas de forma adequada.

Leia também: Micrometástase e células tumorais isoladas no câncer gástrico

Em relação ao câncer gástrico diversos biomarcadores foram avaliados a fim de caracterizar o grau de repercussão sistêmica da doença, porém ainda não foi alcançado um sucesso na prática clínica. Com este intuito um novo índice foi proposto e reproduzido na publicação do World Journal of Surgery, com a utilização de dosagens séricas usuais a fim de avaliar o grau de inflamação sistêmica e correlacionar com os desfechos relacionados ao câncer gástrico. 

O índice utiliza a albumina sérica e da relação linfócito/monócito. A albumina além de poder representar situações de desnutrição também está diminuída em situações de inflamação. A invasão tumoral, provoca reações inflamatórias locais que em última análise também irão provocar uma resposta inflamatória sistêmica e alterando a relação linfócitos/monócitos. 

Escore mSIS para câncer gástrico pode ser útil?

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Materiais e métodos

Foram avaliados dados de pacientes submetidos a gastrectomia com intuito curativo com linfadenectomia D2, sem quimioterapia prévia à cirurgia. Os dados foram coletados de forma retrospectiva e um total de 1.764 preencheram os critérios de inclusão entre 2010 e 2014. Foram obtidos os dados de albumina sérica e relação linfócito monócito (LMR), de todos os pacientes com pelo menos 7 dias antes da cirurgia.

As complicações pós-operatórias seguiram a classificação de Clavien-Dindo. O escore de SIS (escore de inflamação sistêmica), previamente validado para outras patologias foi adaptado para mSIS (específica para câncer gástrico), com os seguintes variáveis

  • mSIS 0 → Alb ≥ 4,0 g/dL e LMR ≥ 3,4
  • mSIS 1 → Alb < 4,0 g/dL e LMR ≥ 3,4
  • mSIS 2 → ALb < 4,0 g/dL e LMR < 3,4

Resultados

A sobrevida global em 5 anos foi de 81,8% porém ao se dividir entre as categorias mSIS 0, 1 e 2 houve um decréscimo gradual de sobrevida com 88,5%, 77,5% e 64,5% respectivamente (p<000,1). Ao dividir os pacientes por estágios de doença, a sobrevida também era melhor quanto melhor o mSIS  nos diferentes estágios de doença, assim como o tempo livre de doença (p<0,0001). A análise dos subgrupos por estádio de doença e recidiva mostrou que aqueles do estádio I com mSIS 1 e 2 possuem um RR 2,2 para recidiva de doença quando comparado com mSIS 0, porém sem grande significância estatística (p=0,0927).

Discussão

Este foi um dos primeiros estudos, com uma grande amostra que mostrou a utilidade clínica do mSIS, na análise de prognóstico a longo prazo de pacientes com câncer gástrico. Uma grande vantagem do uso desta ferramenta é seu baixo custo, visto que faz parte da avaliação pré-operatória de pacientes com câncer gástrico. 

O fato dos pacientes com maiores índices de mSIS também apresentarem, uma recidiva mais precoce também sugere que estes pacientes devem ser seguidos com exames de imagem de forma mais rigorosa, especialmente aqueles mSIS 2.

Saiba mais: Câncer gástrico: qual a melhor combinação de terapia adjuvante?

Em conclusão, podemos afirmar que o mSIS é útil na estratificação de risco de pacientes submetidos a gastrectomias com intuito curativo.

Para Levar Para Casa

Apesar de dados bastante promissores, não podemos ainda extrapolar esses achados para pacientes globalmente. Pela natureza dos exames utilizados não ofereceram aumento de custos nem necessidade de aquisição de novas tecnologias, este método poderá, quando melhor determinado a sua função, aqueles pacientes que necessitam de uma vigilância mais intensa. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Inagaki K, Kanda M, Nakanishi K, et al. Accurate Prediction of Prognosis After Radical Resection of Gastric Cancer by the Modified Systemic Inflammation Score; a Multicenter Dataset Analysis. World J Surg. 2021;45(8):2513-2520. doi:10.1007/s00268-021-06138-9

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