Especial de Carnaval: como cuidar de alguém com intoxicação alcoólica no plantão?

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Em um homem saudável, o álcool ingerido começa a ser absorvido em 10 min, primariamente no delgado (80-90%). Em 30 a 90 min após a ingestão há o pico de concentração plasmática. Como o metabolismo hepático retira apenas 15-20 mg/dl/h, qualquer ingestão acima desses valores provocará intoxicação.

As primeiras manifestações são alterações comportamentais já bem vistas e experimentadas pela maioria de vocês. O perigo está nas formas avançadas, em especial, o cenário de rebaixamento do nível de consciência, onde a pessoa “sai carregada” do evento. Há risco potencial de vômito, broncoaspiração e hipoxemia. Além disso, cardiopatas estão sob risco de efeitos deletérios diretos, como as arritmias cardíacas.

Então, imagine-se em um plantão de Carnaval, e um grupo traz um amigo desacordado. A história é que “bebeu demais”. Por onde começar (na tabela 1 há aspectos especiais a serem avaliados)? Primeiro divida o atendimento em dois caminhos paralelos:

  1. Suporte dos sinais vitais – via aérea, oxigenação e circulação;
  2. Obter mais informações com familiares/amigos.

Tabela 1: avaliação do paciente com intoxicação alcoólica aguda

Sinais trauma: o paciente bêbado tem maior risco de quedas e acidentes. Uso outras drogas: em especial, os depressores, como heroína e benzodiazepínicos, pois potencializam os efeitos do álcool.
Medicações uso recente. Vômito: muito comum, é potencial causa de broncoaspiração → hipoxemia → PCR.
Comorbidades, em especial cardiopatia. Olho nas pupilas! No paciente pouco cooperativo, pode ser a dica para lesão estrutural e déficit focal.

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Na avaliação inicial (tabela 2), colete laboratório com hemograma, bioquímica e hepatograma. Faça glicemia capilar imediatamente. Se houver sinais focais ou história de trauma, tomografe crânio e cervical; uma radiografia de tórax também entra na lista.

Tabela 2: manejo do paciente bêbado

E o tratamento? Hidratação é a pedra fundamental. Use cristaloide, bolus inicial 10-20 ml/kg e depois 20-30 ml/kg/24h. Acrescente glicose no soro, mínimo de 100 g (400 kcal). Ao contrário de outras intoxicações exógenas, a lavagem gástrica é pouco útil, dada a rápida absorção do álcool. A reposição de tiamina é mais importante no alcoólatra e deve ser feita antes da infusão de glicose (100 mg parenteral ou 300 mg oral).

Na pessoa hígida, que só bebeu demais no Carnaval, não é tão importante assim. Drogas antieméticas como metoclopramida ou ondansetrona são ótimas para reduzir o risco de vômito; se o paciente persistir vomitando, um decúbito lateral direito (posição de segurança) ajuda. Não há ainda um antídoto para os efeitos do álcool nem medicações para prevenir a ressaca. Imagina o sucesso no dia que lançarem!!!

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