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Estamos preparados para a revolução digital na saúde?

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Durante a história da indústria é possível citar três revoluções que proporcionaram um aumento significativo na produção e na evolução da sociedade. A primeira foi a descoberta do ferro e carvão, a segunda foi a descoberta da energia elétrica e a terceira foi a evolução tecnológica. Nos últimos anos, começou-se a falar na quarta revolução industrial, que é um conjunto de tecnologias que englobam o mundo físico, biológico e digital, através da troca de dados, utilizando os conceitos de Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Big Data.

Estudiosos da área afirmam que a quarta revolução industrial trará um impacto mais profundo e exponencial na produção e na sociedade. Na área da saúde, os grandes hospitais e centros de atendimento, começaram a utilizar os conceitos da indústria, como forma de padronizar os processos de atendimento e melhorar a qualidade do atendimento.

O uso da internet e de dispositivos eletrônicos, principalmente o mHealth (mobile health) e a Tessaúde vêm ganhando espaço como forma de intervenção e gerenciamento da saúde da população. Essa nova forma de comunicação que utiliza a tecnologia da informação para facilitar o acompanhamento, monitoramento ou atendimento remoto dos pacientes está cada vez mais presente no dia-a-dia do profissional da área da saúde. No Brasil, a Telessaúde tem um importante marco em 2005, com a criação da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) para atendimento no SUS. Com o passar do tempo, grandes centros de saúde, como o Hospital Albert Einstein e o Hospital Sírio-Libanês, tem investido em Telemedicina, Telerreabilitação e outras modalidades de serviço a distância.

O tema Saúde Digital ou Revolução 4.0 na Saúde já chegou e está relacionado com as mudanças observadas pela sociedade, como a utilização dos smartphones, relógios interativos, aplicativos de saúde e tomada de decisão médica, como o Whitebook, etc. Outros sistemas que utilizam tecnologia e inteligência artificial, como o Watson da IBM já são utilizados na área da saúde. Essas mudanças na saúde 4.0 promovem o empoderamento do paciente e da sociedade, e modificam cada vez mais o olhar da intervenção voltado para o tratamento de “doenças”, para um olhar de prevenção/promoção da saúde. Assim, com a chegada da revolução 4.0 na saúde, a sociedade está muito mais informada e isso modifica a forma de viver e relacionar das pessoas.

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Diante deste contexto, será que os profissionais da área da saúde estão preparados para lidar com essa realidade? Será que a saúde 4.0 pode substituir os profissionais da área da saúde, uma vez que a inteligência artificial poderia analisar exames de imagem ou laboratoriais, bem como prescrever exercícios de acordo com as necessidades de cada indivíduo, conforme dados coletados de dispositivos eletrônicos? Para Jiang et al., (2017), os médicos e profissionais da área da saúde não serão substituídos por robôs ou máquinas no futuro, mas a inteligência artificial poderá auxiliar na tomada de decisões.

Segundo os autores, devido ao crescente número de dados na área da saúde, juntamente com os métodos analíticos de Big Data, cria-se a possibilita do desenvolvimento e aplicação algoritmo de dados para auxiliar na tomada de decisões clínicas. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisarão se adequar com o uso dessas novas tecnologias, bem como durante a comunicação com os pacientes que tem a informação na “palma da mão”.

Países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, cada vez mais estão investindo em tecnologias e na “saúde digital”, com o objetivo de reduzir custos e atender à crescente demanda na área da saúde de forma mais eficaz. No entanto, é importante ter cautela e mais estudos para entender melhor os efeitos e consequências dessas mudanças, de maneira a utilizá-las para o benefício da sociedade. De qualquer forma, a saúde 4.0 é um processo inevitável que obriga a área da saúde a repensar, desde a matriz curricular, a formação desses futuros profissionais, bem como na capacitação dos profissionais para possibilitar uma melhor interação com revolução 4.0.

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Referências:

  • HUNG, M. et al. Uncovering patterns of technology use in consumer health informatics. Wiley Interdisciplinary Reviews: Computational Statistics, 2013;5(6):432-447.
  • SILVA, A. B. Telessaúde no Brasil – conceitos e aplicações. 1ª. ed. Rio de Janeiro: DOC, 2014. v.1. 88p.
  • SILVA, A. B.; MOREL, C. M.; MORAES, I. H. S. Proposta conceitual de telessaúde no modelo da pesquisa translacional. Revista de Saúde Pública, 2014;48(2):347-356.
  • WORLD BANK. INFORMATION; COMMUNICATION TECHNOLOGIES; INFODEV (PROGRAM). Information and communications for development 2012: Maximizing mobile. World Bank Publications, 2012.
  • MOFFET H et al. Patient Satisfaction with In-Home Telerehabilitation After Total Knee Arthroplasty: Results from a Randomized Controlled Trial. Telemed J E Health. 2017;23(2):80-87.
  • Jiang F, Jiang Y, Zhi H, Dong Y, Li H, Ma S, Wang Y, Dong Q, Shen H, Wang Y. Artificial intelligence in healthcare: past, present and future. Stroke Vasc Neurol. 2017;2(4):230-243.

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