Cardiologia

Estatina no dia da cirurgia cardíaca pode reduzir mortalidade?

Estatinas têm desempenhado um papel substancial no manejo de doenças cardiovasculares. Estudos têm mostrado diminuição da mortalidade cardiovascular em pacientes com colesterol elevado que receberam terapia com estatina.

A administração de estatinas pré-operatórias está associada com redução no risco de mortalidade após cirurgia de revascularização do miocárdio. No entanto, a dose ótima e o momento de administração são desconhecidos.

Um estudo analisou retrospectivamente dados de 3.025 pacientes que realizaram cirurgia de revascularização do miocárdio entre julho de 2005 e maio de 2011. As informações sobre os pacientes (dados demográficos, fatores de riscos perioperatórios e medicamentos, e mortalidade por todas as causas) foram obtidas de uma base de dados do Texas Heart Institute. O desfecho primário avaliado foi mortalidade por todas as causas pós-operatória em 30 dias.

Veja também: ‘Estratégias para lidar com a miopatia por estatinas’

Os pacientes foram divididos em três grupos de acordo com o tempo de administração de estatina pré-operatória: 59% (n=1.788) dos pacientes tinham administrado estatina no período de 24 horas ou menos, 15% (n=452) entre 24 e 72 horas, e 26% (n=781) em mais de 72 horas antes da cirurgia ou não fez uso de estatina. Em seguida, os pacientes foram agrupados de acordo com a dose pré-operatória: sem estatina (n=739), 20 mg ou menos (n=920), ou mais de 20 mg (n=1.284) de atorvastatina ou equivalente.

A mortalidade por todas as causas em 30 dias foi significativamente menor nos pacientes que fizeram uso de estatina em 24 horas ou menos no pré-operatório (1,7%) em comparação com 24 a 72 horas (2,9%), mais de 72 horas ou nenhuma dose (3,8%).

A mortalidade por todas as causas em 30 dias foi de 2,5% entre 2005 e 2006, 2,4% entre 2007 e 2008 e 2,4% entre 2009 e 2011.

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A análise multivariada mostrou que a administração de estatina 24 horas ou menos no pré-operatório foi associada com redução da mortalidade por todas as causas em 30 dias (odds ratio: 0,52; intervalo de confiança de 95% [IC 95%]: 0,28 a 0,98; p=0,04) versus mais de 24 horas ou nenhuma dose.

Para a dose de estatina pré-operatória, a mortalidade por todas as causas em 30 dias foi significativamente menor quando administrado 20 mg ou menos (1,8%) ou mais de 20 mg de atorvastatina ou equivalente (2,1%) do que quando não se administrou nenhuma dose (3,8%).

E mais: ‘Estatinas: os benefícios são maiores que os riscos?’

Na análise multivariada, mais de 20 mg de dose pré-operatória foi associada com redução de 68% da mortalidade por todas as causas em 30 dias (odds ratio: 0,32; IC 95%: 0,13 a 0,82; p=0,02) em comparação com nenhuma estatina pré-operatória. No entanto, uma dose pré-operatória de 20 mg ou menos não apresentou redução da mortalidade.

Como conclusão, foi observado que o tempo e a dose de estatina antes da cirurgia de revascularização do miocárdio foi associada com mortalidade por todas as causas em 30 dias. Especificamente, a dose de atorvastatina superior a 20 mg ou equivalente e o período de 24 horas ou menos antes da cirurgia foram independentemente associados com a redução da mortalidade pós-operatória.

Autora:

Referência:

  • Curtis M, Deng Y, Lee V-V, Elayda MA, Coselli JS, Collard CD, et al. Effect of Dose and Timing of Preoperative Statins on Mortality After Coronary Artery Bypass Surgery. Ann Thorac Surg [Internet]. The Society of Thoracic Surgeons; 2017; Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0003497517300164
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Publicado por
Juliana Festa
Tags: estatinas

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