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Esteatose hepática e função cardíaca: existe relação?

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Segundo um estudo publicado em 2016 na revista Radiology, esteatose hepática é um fator de risco independente para insuficiência cardíaca em pacientes obesos – ou seja, aqueles com índice de massa corporal de 30 ou mais. O achado sugere que intervenções concretas para evitar doença hepáticas gordurosa não alcoólicas, também chamadas de esteatose hepática, poderiam ajudar esses pacientes a permanecerem saudáveis.

De fato, a esteatose hepática é a doença hepática mais comum, com até 30% da população em geral desenvolvendo-a, de acordo com os pesquisadores da Holanda. A taxa é ainda maior – entre 70% e 90% – para pacientes obesos ou com diabetes tipo 2. É considerada uma manifestação da síndrome metabólica, caracterizada por um grupo de fatores de risco como pressão alta e nível de colesterol, bem como excesso de gordura abdominal.

Assim, reduzir o risco de doença hepática gordurosa em pacientes obesos através de intervenções poderia ser fundamental para melhorar sua saúde, conforme os autores. A associação independente entre doença hepática gordurosa e insuficiência cardíaca sugere que se concentrar na prevenção de doenças hepáticas com intervenções, como mudanças na dieta, poderia ajudar pacientes obesos.

A epidemiologia da obesidade

Os dados para a pesquisa vieram do estudo holandês Netherlands Epidemiology of Obesity (NEO), que foi realizado entre 2008 e 2012. O estudo NEO incluiu 6.673 homens e mulheres entre as idades de 45 e 65 que tinham um índice de massa corporal (IMC) de pelo menos 27.

Para este estudo, Widya e colegas incluíram 714 homens e mulheres que haviam sido submetidos à espectroscopia de prótons por RM para avaliar o seu teor de triglicerídeos hepáticos – uma medida de gordura no fígado – e a ressonância magnética cardíaca para avaliar a função diastólica do ventrículo esquerdo. Destes 714 pacientes, 47% foram categorizados como sobrepeso e 13% classificados como obesos.

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A função diastólica é a fase do batimento cardíaco quando o coração relaxa para encher de sangue e as anormalidades nesta fase do ciclo cardíaco são fatores importantes nos pacientes com insuficiência cardíaca, escreveram os autores.

Widya e colegas descobriram que um aumento no conteúdo de triglicerídeos hepáticos estava associado a uma diminuição da função diastólica ventricular esquerda média em pacientes obesos. Além disso, essa associação existiu independentemente da síndrome metabólica, o que sugere que, para pessoas obesas, o próprio fígado gorduroso poderia representar um risco de doença cardíaca acima e além dos fatores de risco cardiovascular conhecidos que estão agrupados na síndrome metabólica.

A função diastólica foi comprometida no subgrupo obeso, como demonstrado por uma relação E / A menor (com “E” representando precoce [early] e “A” representando velocidades de enchimento ventriculares tardias [late]), em comparação com subgrupos com peso normal e excesso de peso. Em um coração saudável, a velocidade precoce é maior do que a velocidade tardia.

Então, como esses achados poderiam influenciar a prática clínica? Mais estudos precisam ser feitos, porém, servem mais uma vez para que a esteatose hepática em vez de um achado de imagem incidental, representam uma gama de processos inflamatórios que podem afetar negativamente a saúde do paciente, inclusive função cardíaca.

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