Pediatria

Estudo apoia um tempo mais curto de antibioticoterapia para pneumonia em pediatria

Tempo de leitura: 3 min.

Um ensaio clínico randomizado realizado no Canadá e publicado no jornal JAMA Pediatrics sugere que um curso mais curto de antibioticoterapia em crianças com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é tão eficaz quanto um curso mais longo.

A PAC é comum em crianças. Infelizmente, a duração ideal do seu tratamento não é clara. Por exemplo, tanto a Infectious Disease Society of America e a Canadian Pediatric Society destacam que as recomendações atuais de duração da terapia são baseadas em evidências esparsas. Ensaios clínicos randomizados (randomized clinical trials – RCT) mostraram que cursos de 5 dias de antibioticoterapia para adultos com pneumonia adquirida na comunidade são tão eficazes quanto cursos mais longos, mesmo nos casos de doença grave. Em contraste, poucos RCT de terapia antibiótica de curta duração para PAC foram realizados em crianças e os estudos existentes têm limitações importantes.

Leia também: Plasma convalescente na pneumonia grave por Covid-19: estudo randomizado PlasmAr

Para determinar se o uso de 5 dias de amoxicilina em alta dose para PAC foi associado a taxas não inferiores de cura clínica em comparação com a prescrição de 10 dias de amoxicilina também em dose elevada, Pernica e colaboradores realizaram o estudo de não inferioridade denominado SAFER (Short-Course Antimicrobial Therapy for Pediatric Respiratory Infections).

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Método do estudo

No SAFER, realizado no período entre agosto de 2016 e dezembro de 2019, os pesquisadores incluíram crianças de 6 meses a 10 anos com diagnóstico de PAC, mas que estavam estáveis o suficiente para serem tratadas ambulatorialmente. Os critérios de inclusão foram: febre em 48 horas, sintomas respiratórios, achados de radiografia de tórax consistentes com pneumonia e um diagnóstico primário de pneumonia. O estudo foi conduzido nos hospitais McMaster Children’s Hospital e Children’s Hospital of Eastern Ontario.

Foram incluídos 281 participantes. Dentre eles, a idade mediana foi de 2,6 anos e havia 160 meninos (57,7%) de 279 pacientes com o sexo listado. A cura clínica foi observada em 101 de 114 crianças (88,6%) no grupo de intervenção e em 99 de 109 (90,8%) no grupo de controle na análise por protocolo. Já a cura clínica em 14 a 21 dias foi observada em 108 de 126 pacientes (85,7%) no grupo de intervenção e em 106 de 126 (84,1%) crianças no grupo de controle na análise de intenção de tratar. Além disso, em uma análise secundária, o absenteísmo do cuidador ao trabalho foi significativamente menor no grupo de intervenção do que no grupo de controle, com uma mediana de dois dias versus três.

Saiba mais: Diagnóstico de pneumonia comunitária bacteriana através de bacterioscopia pelo Gram

Os pesquisadores destacaram que os desfechos associados ao uso de 5 dias de amoxicilina em alta dosagem foram comparáveis àqueles associados ao uso de 10 dias de amoxicilina em alta dose e sugerem que as diretrizes de prática clínica devem considerar a recomendação de 5 dias de amoxicilina para o manejo da PAC em crianças de acordo com os princípios de manejo antimicrobiano.

Mensagem final

Na minha opinião, o estudo SAFER é um grande passo para se avaliar o tempo ideal de tratamento da pneumonia adquirida na comunidade em pediatria, principalmente em condições específicas e em determinados tipos de pacientes, o que pode reduzir o uso desenfreado de antibioticoterapia e, consequentemente, a resistência bacteriana com seus inúmeros desafios.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que toda criança com pneumonia com condições clínicas de ser tratada ambulatorialmente deve ter reavaliação agendada após 48 a 72 horas do início da terapia antimicrobiana ou a qualquer momento em caso de piora clínica. Se o paciente apresenta melhora, o tratamento deve ser mantido até completar sete dias. Nos casos em que a criança apresente piora ou o quadro clínico permaneça inalterado, a internação hospitalar deve ser avaliada.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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