Ginecologia e Obstetrícia

Estudo avalia clampeamento tardio versus imediato do cordão umbilical na incidência de hemorragia pós-parto

Tempo de leitura: 2 min.

Hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morte materna no mundo, sendo responsável por cerca de 127.000 mortes por ano.

Torna-se imprescindível na prática clínica a atuação de medidas preventivas visando evitar a incidência de HPP. A assistência prestada durante o terceiro período do parto (dequitação placentária) é chamada de manejo ativo, na qual recomenda-se tração gentil e contínua do cordão umbilical, uso de uterotônicos e massagem uterina.

Leia também: SBP e FEBRASGO publicam diretriz sobre o clampeamento do cordão umbilical

Ao mesmo tempo que obstetras e obstetrizes estão atuando na assistência materna, a neonatologia atua na atenção ao recém-nascido nos seus primeiros momentos de vida. Recomenda-se por esses profissionais o clampeamento tardio do cordão umbilical após o nascimento, visando melhora nos padrões hematimétricos dos neonatos.

Para obstetrícia surge o questionamento: promover o clampeamento tardio do cordão umbilical pode aumentar o risco de HPP?

Análise recente

Tentando responder essa questão, foi desenvolvido um ensaio clínico randomizado em Roma, Itália. O estudo foi aceito para ser publicado no International Journal of Gynecology and Obstetrics em abril de 2022.

Foram recrutadas 122 mulheres com gestação única, a termo e em trabalho de parto espontâneo, submetidas a parto via vaginal no centro de estudo. Todas foram assistidas pelos protocolos de manejo ativo do terceiro período e o que as dividiram em grupos foi o momento de clampagem do cordão umbilical. Foi chamado de clampeamento imediato (n=60) quando realizado em até 15 segundos após o parto e tardio o clampeamento (n=62) que ocorreu de 1 a 5 minutos após o parto.

Para determinar o efeito do clampeamento tardio sobre o risco de HPP, foi definido como desfecho primário do estudo a mudança no nível de hemoglobina materna no primeiro dia pós-parto e como desfechos secundários a estimativa de perda de sangue maior que 500 ml, administração de uterotônicos adicionais e necessidade de transfusão sanguínea.

Não houve diferenças significativas na perda de sangue materna quando comparada pela diminuição do nível de hemoglobina (diferença das médias: -0,10 g/dl, IC95%: 0,28-0,08) entre os dois grupos. Houve três casos de HPP no grupo de clampeamento tardio e 4 no grupo de clampeamento imediato do cordão. Uterotônicos adicionais foram necessários em 17,7% das mulheres randomizadas no grupo clampeamento tardio e em 15,0% das mulheres randomizadas no grupo de clampeamento imediato (RR 1,18, IC 95% 0,53 a 2,65).

Conclusão

Esse estudo, nos ajuda a responder o receio obstétrico em aumentar a incidência de hemorragia pós-parto (HPP) quando optamos pelo clampeamento tardio do cordão umbilical. Apesar da amostra pequena e de não permitir a generalização dos resultados para gestações múltiplas ou partos cesarianos, os resultados são positivos no sentido de incentivar o clampeamento tardio do cordão umbilical e atuar na melhora de desfechos perinatais.

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Publicado por
Ênio Luis Damaso

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