Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Medicina de Família / Estudo busca potencializar ação de planta amazônica contra tumores e inflamações

Estudo busca potencializar ação de planta amazônica contra tumores e inflamações

Esse conteúdo é exclusivo para
usuários do Portal PEBMED.

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Pesquisadores da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram formas modificadas de substâncias alcaloides produzidas pela planta amazônica unha-de-gato (Uncaria guianensis).

Em sua versão natural, esses compostos são conhecidos pela sua capacidade de combater tumores e inflamações, além de agir na modulação do sistema imunológico. O objetivo do grupo é obter uma estrutura química com ação terapêutica potencializada.

Veja também: Anvisa aprova simplificação da importação de produtos à base de cannabis

Essas substâncias chamadas de alcaloides são compostos orgânicos produzidos por plantas ou microrganismos usados há muito tempo na literatura medicina, como a morfina, que é extraída da flor da papoula (Papaver somniferum).

“A planta é usada desde a época dos incas. Estudos mostram um potencial para o câncer. Está planta também está incluída na lista do Sistema Único de Saúde (SUS) como anti-inflamatória. Devido a estas informações começamos os estudos, que durou cerca de quatro anos”, conta Adriana Aparecida Lopes, professora da Unidade de Biotecnologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e primeira autora do artigo, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

cadastro portal

Resultados de estudos recentes

Estudos recentes indicam que pequenas modificações na estrutura química de alguns alcaloides potencializam o seu efeito terapêutico. A fluorvimblastina, por exemplo, é o resultado da adição de flúor à estrutura química da vimblastina, um alcaloide natural produzido pela vinca (Catharanthus roseus). Pesquisadores americanos mostraram que a atividade antitumoral da fluorvimblastina é 30 vezes maior do que a do composto natural.

“Quando comparamos a estrutura da vimblastina e a dos alcaloides da planta, vimos que eles têm vias biossintéticas muito semelhantes. Então, substituímos um hidrogênio do anel aromático por um átomo de flúor”, explicou a professora Adriana Aparecida Lopes.

Leia também: Câncer de próstata: nova técnica pode ajudar a recuperar função erétil mais rápido

O resultado foi um novo alcaloide, nomeado de 6-fluoro-isomitrafilina, que possui três hidrogênios aromáticos e um flúor. Outro análogo produzido teve a introdução de um grupo metila no lugar de um hidrogênio aromático e recebeu o nome de 7-metil-isomitrafilina.

“Por meio de biossíntese dirigida pelo precursor obtivemos dois análogos dos alcaloides oxindolicos isolados e identificados”, acrescentou a pesquisadora.

A continuação do projeto será realizada em colaboração com a médica Sarah O’Connor, diretora do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, que está colaborando na parte molecular.

“Nosso objetivo é modificar a planta unha-de-gato para que ela passe a produzir grandes quantidades dos alcaloides análogos”, conta Adriana Lopes.

A meta dos pesquisadores é aumentar essa produção para fabricar no laboratório apenas a versão fluorada a fim de obter novos compostos com potenciais efeitos terapêuticos, mais eficazes do que aqueles produzidos naturalmente pela planta.

“Ainda não testamos essas substâncias. A literatura médica mostra que ao substituirmos um átomo de hidrogênio por um átomo de flúor no alcaloide vimblastina foi possível aumentar até 40 vezes a atividade biológica do composto. O nosso composto também é um alcaloide oxindolico mais simplificado estruturalmente falando do que vimblastina. Assim, o nosso análogo fluorado também pode ser muito mais promissor que o próprio alcaloide natural porque o produzimos com o átomo de flúor”, conclui a pesquisadora.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:

Referências bibliográficas:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.