Saúde & Tecnologia

Estudo busca potencializar ação de planta amazônica contra tumores e inflamações

Tempo de leitura: 2 min.

Pesquisadores da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram formas modificadas de substâncias alcaloides produzidas pela planta amazônica unha-de-gato (Uncaria guianensis).

Em sua versão natural, esses compostos são conhecidos pela sua capacidade de combater tumores e inflamações, além de agir na modulação do sistema imunológico. O objetivo do grupo é obter uma estrutura química com ação terapêutica potencializada.

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Essas substâncias chamadas de alcaloides são compostos orgânicos produzidos por plantas ou microrganismos usados há muito tempo na literatura medicina, como a morfina, que é extraída da flor da papoula (Papaver somniferum).

“A planta é usada desde a época dos incas. Estudos mostram um potencial para o câncer. Está planta também está incluída na lista do Sistema Único de Saúde (SUS) como anti-inflamatória. Devido a estas informações começamos os estudos, que durou cerca de quatro anos”, conta Adriana Aparecida Lopes, professora da Unidade de Biotecnologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e primeira autora do artigo, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

Resultados de estudos recentes

Estudos recentes indicam que pequenas modificações na estrutura química de alguns alcaloides potencializam o seu efeito terapêutico. A fluorvimblastina, por exemplo, é o resultado da adição de flúor à estrutura química da vimblastina, um alcaloide natural produzido pela vinca (Catharanthus roseus). Pesquisadores americanos mostraram que a atividade antitumoral da fluorvimblastina é 30 vezes maior do que a do composto natural.

“Quando comparamos a estrutura da vimblastina e a dos alcaloides da planta, vimos que eles têm vias biossintéticas muito semelhantes. Então, substituímos um hidrogênio do anel aromático por um átomo de flúor”, explicou a professora Adriana Aparecida Lopes.

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O resultado foi um novo alcaloide, nomeado de 6-fluoro-isomitrafilina, que possui três hidrogênios aromáticos e um flúor. Outro análogo produzido teve a introdução de um grupo metila no lugar de um hidrogênio aromático e recebeu o nome de 7-metil-isomitrafilina.

“Por meio de biossíntese dirigida pelo precursor obtivemos dois análogos dos alcaloides oxindolicos isolados e identificados”, acrescentou a pesquisadora.

A continuação do projeto será realizada em colaboração com a médica Sarah O’Connor, diretora do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, que está colaborando na parte molecular.

“Nosso objetivo é modificar a planta unha-de-gato para que ela passe a produzir grandes quantidades dos alcaloides análogos”, conta Adriana Lopes.

A meta dos pesquisadores é aumentar essa produção para fabricar no laboratório apenas a versão fluorada a fim de obter novos compostos com potenciais efeitos terapêuticos, mais eficazes do que aqueles produzidos naturalmente pela planta.

“Ainda não testamos essas substâncias. A literatura médica mostra que ao substituirmos um átomo de hidrogênio por um átomo de flúor no alcaloide vimblastina foi possível aumentar até 40 vezes a atividade biológica do composto. O nosso composto também é um alcaloide oxindolico mais simplificado estruturalmente falando do que vimblastina. Assim, o nosso análogo fluorado também pode ser muito mais promissor que o próprio alcaloide natural porque o produzimos com o átomo de flúor”, conclui a pesquisadora.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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