Estudo inédito analisa esgoto para mapear circulação do novo coronavírus

Estudo está mapeando a rede de esgoto de Niterói em busca de fragmentos genéticos do novo coronavírus, que chegam à rede excretados nas fezes de infectados.

Um estudo inédito está mapeando a rede de esgoto da cidade de Niterói, localizada na região metropolitana do Rio de Janeiro, em busca de fragmentos genéticos do novo coronavírus, que chegam à rede após serem excretados nas fezes de indivíduos infectados e são analisados através de testes laboratoriais do tipo RT-PCR.

Laboratório realiza testes para detecção da Covid-19 em fezes de pacientes infectados na cidade de Niterói.

Coronavírus e esgoto

A pesquisa, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a prefeitura de Niterói e a concessionária Águas de Niterói, deve servir para identificar a chegada do vírus a uma localidade antes da confirmação dos casos pelo sistema de saúde.

A análise da primeira parte do material coletado confirmou a presença do micro-organismo em cinco dos 12 pontos estudados: quatro deles no bairro de Icaraí, além de Jurujuba, Camboinhas, Maravista e Sapê e das comunidades do Palácio, Cavalão, Preventório, Vila Ipiranga, Caramujo, Maceió e Boa Esperança.

As coletas foram realizadas pelo Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz). E as análises lideradas pelo Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em colaboração com o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, recentemente considerado referência em coronavírus nas Américas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leia também: O dilema dos novos testes rápidos para a detecção do SARS-CoV-2

Para os pesquisadores, investigar a presença do coronavírus no esgoto pode ser uma forma de melhorar o entendimento de sua circulação em uma determinada área, uma vez que o vírus também terá sido excretado nas fezes de indivíduos assintomáticos.

“Isso subsidiará informações para a vigilância em saúde, permitindo otimizar o uso dos recursos disponíveis e aumentar as medidas de profilaxia na área, uma vez que a investigação sistemática da presença do material genético do vírus na rede de esgotos sanitários pode fornecer um retrato da presença de casos positivos em determinada localidade, incluindo assintomáticos e subnotificados no sistema de saúde”, explica a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e responsável pela pesquisa.

Apesar da presença do vírus nas fezes de indivíduos infectados já ter sido confirmada, não há evidências científicas de que o vírus excretado ainda seja capaz de infectar outros indivíduos.

Niterói realiza testagem massiva da população

No início de abril, o governo de Niterói recebeu kits importados dos Estados Unidos para realizar a testagem em massa da população. A cidade é a primeira do país a implementar a iniciativa, inspirada nos modelos de contenção da doença desenvolvidos na Coreia do Sul e Singapura.

A testagem massiva está sendo realizada através das unidades básicas de saúde do município e do Programa Médico de Família. Os indivíduos que testarem positivo, mesmo assintomáticos ou com sintomas leves serão convidados a passar um período de isolamento social em um dos Centros de Quarentena instalados em dois CIEPs municipalizados da cidade, onde terão acompanhamento de especialistas por um período de 14 dias.

A princípio, 80 mil moradores serão testados, com prioridade para idosos e indivíduos com histórico de comorbidades.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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