Pediatria

Estudo mostra bebês prematuros extremos que sobrevivem ao parto também melhoram os desfechos de neurodesenvolvimento

Tempo de leitura: 2 min.

A sobrevivência de bebês extremamente prematuros (EP), isto é, nascidos com idade gestacional (IG) inferior a 28 semanas, tem aumentado progressivamente desde o início da década de 90, acompanhando os avanços médicos e tecnológicos nos cuidados perinatais e neonatais. No entanto, há muitas dúvidas se os desfechos do neurodesenvolvimento desses pacientes até a idade corrigida de dois anos melhoraram com o progresso da Medicina. Um estudo publicado recentemente no jornal JAMA Pediatrics avaliou, justamente, as mudanças de déficits neurológicos moderados ou graves e a sobrevida livre de incapacidade neurológica significativa aos dois anos em bebês prematuros extremos.

Saiba mais: Parto prematuro e risco de hipertensão arterial futura

Metodologia

Pesquisadores da Austrália conduziram quatro estudos prospectivos de coorte longitudinal compreendendo todos os nascidos vivos EP com 22 a 27 semanas de IG de 1° de abril de 2016 a 31 de março de 2017 e períodos anteriores (1991-1992, 1997 e 2005) e controles contemporâneos nascidos a termo no Estado de Victoria. Entre 1.208 nascidos vivos durante os períodos estudados, os dados estavam disponíveis para análise de desfechos de dois anos em 1.152 crianças: 422 (1991-1992), 215 (1997), 263 (2005) e 252 (2016-2017). 

Os principais desfechos observados foram: sobrevivência, cegueira, paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento, surdez e deficiência no desenvolvimento neurológico aos dois anos de idade corrigida. Para atrasos no desenvolvimento, os pesquisadores incluíram um quociente de desenvolvimento inferior a -1 desvio-padrão (DP). em relação às médias do grupo de controle nas escalas Bayley. Um déficit grave de desenvolvimento neurológico consistiu em paralisia cerebral moderada a grave, cegueira, surdez ou um quociente de desenvolvimento menor que -2 DP. 

A análise dos dados foi realizada de 17 de setembro de 2020 a 15 de abril de 2021.

Resultados

A sobrevivência de 2 anos foi maior em 2016-2017 (73% = 215/293) em comparação com períodos anteriores (1991-1992: 53% = 225/428]; 1997: 70% = 151/217; 2005: 63% = 170/270). Cegueira e surdez foram incomuns (<3%).

A paralisia cerebral foi menos comum em 2016-2017 (6%) do que em períodos anteriores (1991-1992: 11%; 1997: 12%; 2005: 10%). Não houve mudanças óbvias nas taxas de quociente de desenvolvimento inferior a −2 DP ao longo dos períodos (1991-1992: 18%; 1997: 22%; 2005: 7%; 2016-2017: 15%) ou nas taxas de déficit de neurodesenvolvimento (1991-1992: 20%; 1997: 26%; 2005: 15%; 2016-2017: 15%). A sobrevida livre de déficit de neurodesenvolvimento significativo aumentou de forma constante ao longo do tempo, de 42% em 1991-1992, 51% em 1997, 53% em 2005, para 62% em 2016-2017. O número anual de sobreviventes com déficit grave de neurodesenvolvimento por ano foi de 22 (1991-1992), 39 (1997), 24 (2005) e 26 (2016-2017).

Leia também: AAP 2021: avaliação de sepse tardia e terapia empírica em prematuros extremos

Conclusão

Esses  resultados sugerem que a sobrevida livre de incapacidades significativas aos dois anos de idade em crianças nascidas EP aumentou em 20% absolutos desde o início da década de 1990. No entanto, o aumento da sobrevida não foi associado ao aumento da deficiência do neurodesenvolvimento. Portanto, bebês que nascem EP estão cada vez mais sobrevivendo até os dois anos de idade sem grandes déficits neurológicos. 

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Cheong JLY, Olsen JE, Lee KJ, et al. Temporal Trends in Neurodevelopmental Outcomes to 2 Years After Extremely Preterm Birth. JAMA Pediatr. 2021;175(10):1035-1042. doi:10.1001/jamapediatrics.2021.2052

 

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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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