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EuroElso 2019 - VAD

EuroElso 2019: uso do dispositivo de assistência ventricular em pediatria

Tempo de leitura: 3 minutos.

Um dos inúmeros assuntos abordados no EuroElso 2019 foi a utilização do chamado dispositivo de assistência ventricular (VAD) em pediatria. O VAD é uma opção de suporte circulatório mecânico em longo prazo para sustentar crianças com insuficiência cardíaca que necessitam de transplante cardíaco, até que um coração de um doador possa ser identificado, podendo ser usado com sucesso durante muitos meses.

A abordagem convencional tem sido a utilização de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), mas a falta de viabilidade para uso em longo prazo e as principais complicações associadas à tecnologia têm limitado seu uso, especialmente à luz das longas listas de espera de corações de doadores.

O Berlin Heart EXCOR® é um dispositivo pulsátil acionado pneumaticamente usado pela primeira vez no início da década de 1990, é o VAD mais extensivamente utilizado e estudado para insuficiência cardíaca pediátrica. Foi o primeiro VAD a receber a aprovação do Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, em 2011, e já foi usado em aproximadamente 1.000 crianças em todo o mundo. O modelo pediátrico é considerado um dispositivo de longa permanência.

O VAD Berlin Heart® EXCOR é um tipo de bomba de “coração artificial” que puxa o sangue do ventrículo esquerdo e envia esse sangue para a aorta, tirando assim o trabalho extra do coração nativo. O dispositivo, que pode ser de vários tamanhos, não fica totalmente implantado no corpo (daí o nome EXCOR). São inseridas cânulas no coração que se estendem através da pele e se conectam a uma pequena bomba localizada fora do corpo. Essa bomba, junto a sua unidade motriz computadorizada, mantém o fluxo sanguíneo. Crianças com o VAD Berlin Heart® EXCOR podem deixar a unidade de terapia intensiva (UTI) e ir para um quarto, onde recebem reabilitação e melhor nutrição enquanto esperam por um transplante. O Berlin Heart® EXCOR é considerado uma “ponte” para o transplante cardíaco.

O sistema pediátrico Berlin Heart® EXCOR consiste em uma ou duas bombas de sangue extracorpóreas acionadas pneumaticamente (para apoio univentricular ou biventricular – BiVAD), cânulas para conectar as bombas de sangue ao átrio ou ventrículo e às grandes artérias, respectivamente, e o IkusR© unidade motriz (BerlinHeart GmbH, Berlim).

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As bombas de sangue estão disponíveis em cinco diferentes tamanhos com volumes de ejeção de 10, 25, 30, 50 e 60 mL. Os tamanhos de bomba recomendados a serem utilizados para as faixas de peso especificadas são os seguintes: 10 mL para 0 a 8 kg; 25 mL para 8-25 kg; 30 mL para 15-30 kg; 50 mL por 30 a 55 kg; e 60 mL para 35-60 kg. Para suporte com BiVAD, as combinações de bombas de sangue 60/50, 30/25 ou 10/10 mL são recomendadas, com a bomba maior posicionada no lado esquerdo para evitar congestão pulmonar. O Berlin Heart EXCOR® é uma bomba de fluxo pulsátil, fornecendo até 8 L/min. Possui baterias acopladas a um sistema de transporte, permitindo a deambulação por um período de até 10 horas.

A unidade motriz simplesmente direciona o ar para dentro e para fora da (s) bomba (s). Quando o ar é puxado para fora da bomba, a membrana que separa os dois lados da bomba é puxada para trás, sugando o sangue para dentro da bomba a partir da câmara principal de bombeamento do órgão da criança. Quando o ar é empurrado de volta para a bomba, a membrana é empurrada para frente, bombeando o sangue de volta. Se o Berlin Heart EXCOR® estiver apoiando o lado esquerdo do coração, então o sangue que é bombeado para fora vai para a aorta. Se a bomba estiver servindo de apoio para o lado direito do coração, então o sangue bombeado para fora desta bomba vai para a artéria pulmonar, que envia sangue para os pulmões para coletar oxigênio.

Alguns autores enfatizam que o uso prolongado do Berlin Heart EXCOR® em pacientes pediátricos é seguro, viável e permite uma melhor sobrevida ao transplante cardíaco ou à recuperação do miocárdio. No entanto, seu uso pode levar a complicações importantes, incluindo déficits neurológicos relacionados a acidente vascular encefálico (AVC) isquêmico ou hemorrágico, infecção, sangramento, insuficiência respiratória e falência de múltiplos órgãos.
Infelizmente, o uso do dispositivo ainda não é comum no Brasil.

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