Enfermagem

Exame para detecção de anticorpos contra o SARS-Cov-2: realmente útil?

Tempo de leitura: 3 min.

Com o avanço da pandemia causada pelo novo coronavírus foi desencadeado um interesse da população em saber o seu estado imunológico após a recuperação da infecção e também com o início da vacinação.

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A estrutura do SARS-Cov-2

O SARS-Cov-2 é um vírus envelopado (camada externa derivada das membranas celulares) e com genoma de uma fita simples de RNA. Possui 4 proteínas estruturais (Spike [S] – dá ao vírus a aparência característica de uma coroa, envelope [E], membrana [M] e nucleocapsídeo – necessário para a replicação viral – [N]) e outras proteínas.

A proteína Spike é a parte do vírus responsável por se ligar à célula humana através do receptor ACE2 (do inglês, Enzima Conversora de Angiotensina 2) permitindo a infecção e iniciando então o processo de replicação viral.

Produção de anticorpos

Após a infecção viral ou esquema vacinal ocorre a produção de anticorpos pelo sistema imunológico e a reação imunológica está relacionada com a resposta do organismo mediada pelos linfócitos T (imunidade celular) e produção de anticorpos (imunidade humoral).

A presença de anticorpos nos testes sorológicos não corresponde à sua funcionalidade (capacidade de neutralização do vírus) devido à possibilidade de ligação aos diversos componentes do vírus.

Um motivo de grande preocupação é o surgimento de novas variantes pelo risco de um eventual escape na resposta imune. Em dezembro de 2020, uma segunda onda causada pela variante P.1 em Manaus, resultou em um aumento brusco dos casos, ainda que a população mostrasse uma soroprevalência através dos testes sorológicos em torno de 70% de positividade. 

Anticorpos neutralizantes

Os anticorpos neutralizantes possuem a função de neutralizar a ligação do vírus no receptor, impedindo a replicação nas células. 

Entretanto, até o momento, não está definida a quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessários para garantir a proteção imunológica e tampouco a duração ao longo do tempo. 

A resposta imune pós esquema vacinal está relacionada não somente com os anticorpos neutralizantes, mas também anticorpos não neutralizantes e o estímulo à imunidade celular, sendo capazes de exercer um papel importante na proteção contra o novo coronavírus.

É importante destacar que alguns indivíduos podem não soroconverter, mas ainda sim apresentam algum grau de imunidade celular, o que não deve motivar desespero, visto a complexidade do sistema imunológico em produzir uma resposta multifatorial.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), lançou uma nota técnica alertando que os testes para anticorpos disponíveis não devem ser utilizados para testar o nível de proteção contra o vírus após a vacinação, portanto, não está indicado a realização dos testes sorológicos de forma rotineira. 

Dessa forma, é fundamental manter todos os cuidados como distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos. As vacinas são seguras e eficazes, além do legítimo benefício na redução das formas graves da doença e de mortes.

Leia também: Leite materno com anticorpos contra Covid-19 é produzido após lactantes serem vacinadas

Por fim, os resultados fornecidos pelo teste devem ser interpretados por profissionais de saúde. Um resultado interpretado erroneamente, pode desencadear uma falsa segurança e risco do indivíduo não adotar as medidas preventivas corretamente.

As informações sobre a Covid-19 são dinâmicas e o conhecimento vem sendo construído e atualizado constantemente. Sendo assim, é necessário que mais pesquisas científicas sejam realizadas para verificação da capacidade de neutralização dos anticorpos, quantitativo necessário para proteção e o tempo de duração viáveis em nosso organismo.

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Publicado por
Camila Tenuto

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