Saúde Pública

Exame para detecção de criptococose é incorporado ao SUS

Tempo de leitura: 3 min.

O exame para rastreio de infecção pelo fungo Cryptococcus neoformans, que também serve para o diagnóstico de meningite criptocócica, foi incorporado ao rol de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pacientes que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (PVHIV) de forma assintomática passam a contar com esse novo exame, que foi incorporado através de uma portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) recentemente.

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Confira as vantagens do novo teste de rápido incluído no SUS:

  • Fornece resultado definitivo em apenas dez minutos;
  • Apresenta baixo custo;
  • Não exige estrutura física especializada, sendo realizado no mesmo local onde o paciente é atendido,
  • É de fácil uso e interpretação.

O novo exame foi aprovado por recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), vinculada ao Ministério da Saúde.

A comissão realiza uma avaliação para a incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, assim como na constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica.

Mais sobre a doença

Infecção provocada pelo fungo Cryptococcus neoformans ou Cryptococcus gattii, a criptococose é uma levedura encapsulada, de distribuição ubíqua, que pode ser encontrada no solo e em fezes de aves, como os pombos. Devido à temperatura corporal das aves, as mesmas não desenvolvem a doença, mas são as principais disseminadoras do fungo no meio ambiente.

Vale ressaltar a característica oportunista do fungo, que atinge a pacientes com algum tipo de deficiência imune, pessoas debilitadas, como os que passaram por transplante de órgãos sólidos e em uso de imunossupressores, pacientes em tratamento prolongado com corticosteroides fortes e, na maioria dos casos, pacientes com HIV.

Saiba mais: Novo exame para identificar miastenia gravis é incorporado ao SUS

A criptococose é responsável pelo óbito de 15% de todos os pacientes com HIV/AIDS, sendo uma das principais causas de óbito entre esses pacientes. Anualmente, são registrados no mundo todo cerca de 1 milhão de casos de criptococose, sendo 90% destes relacionados ao HIV. Entretanto, ela também pode se desenvolver em pessoas com um sistema imunológico normal.

A infecção geralmente ocorre quando as pessoas inalam os esporos do fungo. Portanto, a enfermidade normalmente afeta os pulmões, se disseminando para o cérebro e os tecidos que envolvem o cérebro e a medula espinhal, resultando em meningite.

A criptococose também pode se disseminar para a pele e outros tecidos, como os ossos, as articulações, o baço, os rins e a próstata. Exceto pelas infecções cutâneas, essas infecções geralmente causam poucos ou nenhum sintoma.

Como identificar

Os indivíduos podem não ter sintomas ou podem ter cefaleia e confusão mental, tosse e peito dolorido, ou uma erupção cutânea, dependendo de onde está localizada a infecção.

O SUS disponibiliza diferentes métodos para diagnóstico da criptococose. O método convencional inclui o exame direto com a análise microscópica em fluidos corporais, geralmente urina e sangue, e a cultura do fungo por um período de até sete dias para identificação do vetor de transmissão.

Os medicamentos antifúngicos são administrados por via oral ou, se a infecção for grave, por via intravenosa.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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