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Exercício físico x mortalidade: a partir de quanto um pode influenciar o outro?

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As recomendações atuais da OMS sobre atividade física são de se exercitar ao menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada (3 a 5,9 MET) ou ao menos 75 min/sem de atividade intensa (>6,0 MET) para indivíduos entre 18 e 64 anos ou combiná-las. Apesar de o papel da atividade física estar bem aceito como redutor da mortalidade por todas as causas e ser protetor contra diversas comorbidades, há muita discussão ainda e opiniões divergentes sobre a frequência ideal para a prática e como distribuir a carga semanal de atividade física. Além disso, muitos de nós já devem ter lido matérias em jornais comuns que alertavam para o perigo relacionado aos chamados atletas de fim de semana.

Em tempos de epidemia de obesidade/sedentarismo no Brasil somando-se à rotina da vida moderna, será que os “atletas de fim de semana” apresentam menores taxas de mortalidade que os sedentários? Um pequeno estudo de 2004 sem grande poder estatístico em Harvard sugeriu que… sim!

O JAMA publicou na primeira quinzena de janeiro um estudo envolvendo 11 coortes na Inglaterra e Escócia com cerca de 64 mil participantes que responderam a um questionário sobre saúde e, acompanhando essas de 1994 a 2012, incluindo os indivíduos com mais de 40 anos de idade com o objetivo de analisar o impacto de diversos padrões de exercício físico nas mortalidades por câncer, doenças cardiovasculares e todas as causas.

Os padrões de atividade física foram classificados da seguinte forma: inativos, insuficientemente ativos (<150 min/sem de atividade de intensidade moderada ou <75 min/sem de atividade vigorosa), “guerreiros/atletas de fim de semana”(>150 min/sem de atividade moderada ou >75 min/sem de atividade vigorosa durante 1 ou sessões) e regularmente ativos (>150 min/sem atividade moderada ou >75 min/sem de atividade intensa em 3 ou mais sessões).

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Os resultados de tal estudo mostraram que os insuficientemente ativos, atletas de fim de semana e os regularmente ativos tiveram redução na mortalidade por todas as causas, mortalidade por doenças cardiovasculares e por câncer quando comparados aos inativos (quase 40 mil dos quase 64 mil participantes), mesmo após ajustes para possíveis fatores de confusão. Esse benefício se mostrou verdadeiro para qualquer participante que tenha feito 1 ou 2 sessões semanais de exercício moderado ou intenso, mesmo se encaixando no grupo insuficientemente ativo ou atletas de fim de semana, e mesmo sem atingir a carga semanal recomendada pela OMS atualmente.

Vale ressaltar que o grupo dos inativos representava assustadores 62,8% de todos os indivíduos incluídos. Infelizmente houve pouquíssimos participantes asiáticos e afrodescendentes, o que talvez possa limitar a extrapolação desses resultados pra tais grupos populacionais.

De toda forma, baseado em tais resultados, devemos reforçar ainda mais a prática de atividades físicas para a população geral sedentária mesmo que não seja atendida a dose semanal recomendada pelas diretrizes atuais, uma vez que o “pouco” se mostrou significativamente melhor que o “nada”. É na prevenção primária que podemos causar maior impacto na redução de custos relacionados à saúde.

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Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referência:

  • Gary O’Donovan et al. Association of “Weekend Warrior” and Other Leisure Time Physical Activity Patterns With Risks for All-Cause, Cardiovascular Disease, and Cancer Mortality, JAMA internal medicine, 09/01/2017.

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