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Existe benefício no tratamento cirúrgico da radiculopatia lombar?

Tempo de leitura: 3 min.

A radiculopatia lombar, também conhecida como ciática, é uma síndrome dolorosa por irradiação acometendo o território de uma raiz nervosa. Pode cursar com déficit sensitivo ou motor ou mesmo apenas dor.

A compressão radicular ocorre mais frequentemente por hérnias de disco ou alterações degenerativas na região lombar embora também possa ser causada por processos infecciosos, neoplásicos, inflamatórios, doenças vasculares ou alterações congênitas.

A prevalência desta condição varia de 1,6-13,4% sendo maior em homens entre 45-64 anos embora possa ocorrer em outras idades. É uma causa frequente de atendimento médico.

O tratamento pode envolver manejo cirúrgico para tratar da causa subjacente ou uso de métodos não cirúrgicos para tratamento sintomático.

Radiculopatia lombar

Recentemente, uma revisão sistemática publicada analisou estudos entre 2007-2019 comparando resultados da abordagem cirúrgica e do tratamento conservador da radiculopatia lombar.

Foram selecionados artigos nas plataformas PubMed, Cochrane e clinicaltrials.gov. Os critérios de inclusão utilizados foram estudos em língua Inglesa, ensaios clínicos controlados ou randomizados envolvendo etiologia não relacionada a infecções, neoplasias, lesões traumáticas ou congênitas.

Leia também: Lombalgia: atualização sobre o manejo de pacientes com dor lombar

Foram analisadas as seguintes intervenções cirúrgicas: discectomia, laminectomia, laminotomia, foraminectomia, nucleotomia, nucleoplastia envolvendo micro acessos ou acessos minimamente invasivos. As estratégias conservadoras avaliadas foram: fisioterapia, tratamento farmacológico, manipulação espinhal, tratamento quiroprático e estratégias combinadas.

Os estudos selecionados envolviam avaliação da melhora da dor, melhora funcional, sintomas neurológicos, retorno ao trabalho, qualidade de vida, complicações pós cirúrgicas, reoperações, segurança, custos de tratamento e uso de opioides.

Os parâmetros selecionados foram avaliados em curto (menos de 12 semanas), médio e longo prazo (mais de 52 semanas).

Resultados

Foram encontradas 1954 citações, das quais após revisão de título e resumo foram excluídos 1717, e 225 após revisão completa do texto, sobrando 12 artigos referentes a oito estudos. Dos trabalhos selecionados sete abordavam eficácia, sete segurança e três custos de tratamento.

Os resultados revisados evidenciaram melhora dos parâmetros em curto a médio prazo com as estratégias cirúrgicas, mas não evidenciaram diferenças a longo prazo. A cirurgia reduziu a dor nas pernas em 6-26 pontos a mais do que intervenções não cirúrgicas medidas numa escala visual analógica de 0 a 100 pontos de dor considerando até 26 semanas de acompanhamento. Diferenças entre os grupos não persistiram em um ano ou mais.

Melhorias na função física e incapacidade foram pequenas a curto e médio prazo e semelhantes no longo prazo. As diferenças na Qualidade de vida não foram encontradas a curto e médio prazo, e foram inconsistentes a longo prazo (evidência insuficiente). Sintomas neurológicos e retorno ao trabalho não foram diferentes em nenhum momento.

Veja mais: Dor lombar na sala de emergência: indicações de imagem

As estratégias cirúrgicas se mostram seguras. As principais complicações envolveram lesões durais, entretanto, a incidência destas complicações é baixa e complicações maiores envolvendo mortes não ocorreram nos estudos. A eficácia de custos do tratamento cirúrgico foi intermediária podendo não ser efetiva para o paciente, o custo médio por ano de vida ajustado à qualidade foi de U$51.150-86.322.

Existem limitações na revisão analisada. Dos estudos utilizados, cinco apresentam alto risco de viés incluindo métodos inadequados de ocultação aleatória ou de alocação, falta de cegamento, atrito e crossover.

Em resumo , as estratégias cirúrgicas se mostraram eficientes a curto e médio prazo para melhora da dor, mas não a longo prazo. Os demais parâmetros analisados apresentaram pouca diferença quanto as estratégias comparadas. A cirurgia se mostrou segura e com custo intermediário a ser avaliado como benéfico ou não pelo usuário.

Autor:

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Rafael Erthal

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