Existe benefício no uso de rifampicina em infecções de prótese que são removidas?

Um estudo buscou avaliar a influência de terapia combinada com rifampicina na taxa de falha de infecções de prótese articular. 

Infecções osteoarticulares, incluindo às associadas à prótese articular, são consideradas de difícil manejo, com recorrências frequentes. O sucesso do tratamento depende do esquema antimicrobiano utilizado e da possibilidade de remoção de dispositivos associados. O uso de rifampicina como antibiótico adjuvante em infecções relacionadas à prótese é uma prática comum, especialmente nas causadas por Staphylococcus aureus, baseado em resultados de ensaios clínicos em que houve retenção de prótese. Entretanto, evidências em relação ao benefício dessa estratégia nos casos em que há substituição de próteses são limitadas. 

Um estudo publicado na Open Forum Infectious Diseases buscou avaliar a influência de terapia combinada com rifampicina na taxa de falha de infecções de prótese articular tratadas com revisão cirúrgica. 

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Existe benefício com o uso de rifampicina em infecções de prótese que são removidas?

Existe benefício com o uso de rifampicina em infecções de prótese que são removidas?

Materiais e métodos 

Trata-se de um estudo observacional retrospectivo e multicêntrico que avaliou infecções estafilocócicas de prótese articular tratadas com revisão cirúrgica no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2018.  

Falha clínica foi definida como recorrência ou reinfecção durante o período de seguimento, necessidade de antibioticoterapia supressiva devido a sinais clínicos ou bioquímicos persistentes de infecção, necessidade de remoção da prótese por qualquer causa, e óbito relacionado à infecção de prótese. 

Falha microbiológica foi definida como recorrência da infecção durante o seguimento, isto é, isolamento da mesma espécie de estafilococo que foi identificada como agente etiológico da infecção inicial (mesmo antibiograma, com exceção de susceptibilidade à rifampicina). 

Resultados 

No total, foram avaliados 375 casos de 13 centros participantes. A maioria eram infecções relacionadas à artroplastia de quadril (48,8%) e de joelho (49,1%). S. aureus foi o agente único mais frequente (42,7%), com estafilococos coagulase-negativos (53,6%) e infecções com isolamento de ambos (3,7%) completando a casuística. As indicações para revisão cirúrgica foram: infecção crônica (64,0%) – após 3 meses de cirurgia de colocação da prótese – e infecção aguda (36,0%). Rifampicina foi prescrita em 49,9% dos casos. 

Falha clínica identificada em 26,9%, ocorrendo em 22,5% no grupo que utilizou rifampicina e em 31,4% no grupo que não utilizou a droga (controle). A análise multivariada identificou somente insuficiência renal como fator de risco independente (OR = 2,92; IC 95% = 1,24 – 6,88). A não administração de rifampicina não esteve associada à falha clínica. 

Falha microbiológica foi identificada em 5,3% dos casos, ocorrendo em 4,8% no grupo que recebeu rifampicina e em 5,9% no grupo controle. No grupo que recebeu rifampicina, 1 dos 9 casos identificados foi decorrente de estafilococo com resistência à rifampicina. 

Em análises por subgrupos, a rifampicina apresentou benefício nos casos de infecção crônica (HR para falha clínica = 0,55; IC 95% = 0,33 – 0,94; p = 0,017), mas não nos de infecção aguda (HR para falha clínica = 0,97; IC 95% = 0,53 – 1,79; p = 0,82). Para as infecções crônicas, o benefício foi maior nas infecções causadas por S. aureus (taxa de falha clínica de 24,2% no grupo que recebeu rifampicina vs. 51,6% no grupo que não recebeu; p = 0,02), do que nas infecções causadas por estafilococos coagulase-negativos (12,9% vs. 22,5%, respectivamente; p = 0,10). 

Quando o tipo de cirurgia foi avaliado, houve benefício com uso de rifampicina somente no subgrupo de infecções crônicas em que houve troca de prótese em dois estágios. Nessa população, o único fator de risco independente para falha clínica identificado foi diabetes mellitus (OR = 2,98; IC 95% = 1,17 – 7,56), enquanto uso de rifampicina (OR = 0,36; IC 95% = 0,15 – 0,88) e intervalo de antibioticoterapia > 2 semanas (OR = 0,19; IC 95% = 0,04 – 0,9) foram preditores independentes de sucesso terapêutico. 

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Mensagens práticas 

– O uso de rifampicina esteve associado a menores taxas de falha clínica em casos de infecções crônicas de prótese articular, causadas por S. aureus e que tenham sido removidas em procedimentos em dois estágios. 

– O uso em infecções agudas ou em que a prótese é substituída em um único ato cirúrgico não apresentou benefício estatisticamente significante. 

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
  • Kramer TS, Soriano A, Tedeschi S, Chen AF, Tattevin P, Senneville E, Gomez-Junyent J, Birlutiu V, Petersdorf S, de Brito VD, Gonzalez IS, Belden KA, Wouthuyzen-Bakker M. Should We Use Rifampicin in Periprosthetic Joint Infections Caused by Staphylococci When the Implant Has Been Exchanged? A Multicenter Observational Cohort Study. Open Forum Infect Dis. 2023 Oct 6;10(10):ofad491. DOI: 10.1093/ofid/ofad491